Como Realmente é “Amar Seu Trabalho”

Ainda no campo de conjecturas, falar sobre amar o trabalho é meu próximo tópico. Quando estava terminando o ensino médio, ouvi a seguinte frase:

“Escolha um trabalho que você ame e você nunca terá que trabalhar um dia em sua vida.” Confúcio.

Um bom tempo depois, já na faculdade, me deparei com:

“Você não tem que fazer o que ama, mas sim, amar o que faz”. (Não encontrei o autor para atribuir os devidos créditos)

Hoje em dia, concordo muito mais com a segunda. Ao meu ver, não estamos falando, necessariamente, de amar seu chefe, o ônibus lotado e o café ruim da máquina de expresso. Isso tudo é seu emprego. Já seu trabalho tem a ver com sua missão, os desafios, processos, eventualmente, com resultados. Quando você gosta desta parte, as coisas tendem a ficar menos complicadas.

Tanto o trabalho, mas principalmente, o emprego, esbarram na questão da qualidade técnica. Profissionais competentes, do ponto de vista técnico, trabalham duro, de alguma forma, para desenvolver suas habilidades. Não existe sorte, talento ou dom nesta equação. Pode existir privilégio, mas não esses outros itens. E o caminho até ficar “bom” naquilo que você faz é pavimentado com muito treinamento. Muito! Talvez nem tenha uma linha de chegada…só estrada mesmo.

Se você não aprende a gostar do seu treino, é como colocar uma mochila, cheia de frustração, nas suas costas. Fica difícil carregar né?
 E de tempos em tempos, você tem que parar na estrada, pra descansar. Nessa pausa, você abre a sua lancheira e ela tá cheia de recalque, desculpa esfarrapada e insegurança. Então você tem que dar um tempo, depois de ter consumido toda esta negatividade. Só assim pra digerir essa gororoba. Aí você diz que está só “tirando uma soneca”, e acaba “só” procrastinando.

No entanto, quando você aprende a amar o que faz, sua mochila de frustração é bem diferente. Ela ainda pode existir, mas a tendência é se esvaziar muito mais rápido, e eventualmente, nem te atrapalhar. Mesmo que o trajeto não diminua, a viagem fica mais leve e você fica aberto a muitas outras oportunidades, como pegar carona na experiência de outras pessoas, há mais tempo na jornada que você. Além de mais leve, pode ser divertida e as vezes, até mais rápida.

‘Risin’ up, back on the street/Did my time, took my chances/Went the distance now I’m back on my feet/Just a man and his will to survive’

Eu disse ‘quando você aprende a amar’, mas não precisa criar um sistema de aprendizado de amor, nem estudar isso como se fosse uma matéria. Ainda assim, prefiro a ideia de “aprender”. Acho o conceito de “amor, como força universal, inerente, onipresente, que rege todas as coisas do universo instantaneamente” um tanto quanto romântico. Só podemos nos dar ao luxo de falar de amor porque vivemos em um ambiente social, onde o indivíduo ao nosso lado não é — ou pelo menos não deveria ser — nosso inimigo mortal e nem ameaça nossa existência e realização pessoal. Muito mais universal que amor é o medo, que acontece em praticamente todo animal — e efetivamente faz com que nos movamos, ainda que seja por reflexo. Mas não precisamos de mais medo por aí, não é mesmo?

Vamos voltar ao amor. Ainda que não seja a primeira vista ou primeira tentativa, é muito recompensador cultivá-lo por todos os motivos que citei na analogia da estrada. Não estou falando para ficar insistindo em algo que não lhe faz mal, mas sim, não desistir do que te faz bem.

Se você amar seu trabalho, ele vai te corresponder — talvez não do jeito que você imagina, mas vai.

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