O dia seguinte ao impeachment

Foto: Mah Narvaez

Há um clima estranho em Brasília. Não se sabe ainda qual será o sentimento que irá sobrar para o país após autorizado a retirada em definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República. Os fanáticos garantem que com a saída de Dilma do poder a corrupção vai acabar, seremos uma nação próspera, que a crise apenas irá sumir do noticiário. Os mais religiosos na política evitam e arriscar sobre como será o dia seguinte.

Após o impeachment ter sido autorizado na Câmara dos Deputados, naquele fatídico 17 de abril, o clima no dia seguinte era de velório. Para a plateia os parlamentares regozijavam. A comunicação nas redes sociais dos parlamentares era de euforia. Outros optaram por denunciar o processo como “o pecado original”, chamado Eduardo Cunha.

Contudo, por mais eloquente que o discurso possa ter sido feito para a plateia, o espectro político compreendia naquele instante a dimensão do impeachment, a dimensão de se retirar da presidência uma presidente eleita democraticamente, mesmo que àquela altura o destino final não houvesse mais volta.

Ontem, 28 de agosto, arrisco dizer que Dilma fez a mais eloquente defesa política de toda sua vida, sem precisar recorrer a um enfadonho power-point ou sequer a alguma ‘colinha’, como sugerido. O debate no Senado Federal era para ter sido a marca de diálogo do governo Dilma I e II e não apenas quando o precipício já está ao ponto de se jogar.


A pauta do governo interino está pronta e será enviada ao Congresso Nacional no dia seguinte à retirada da petista. O Poder Econômico está com pressa e quer receber logo alguma contrapartida por ter sido um dos alicerces que contribuíram para o impeachment. As pautas, amargas como o fel, já começam a ser conhecidas.

Nas redes sociais cidadãos mais atentos começam a se dar conta de qual sentimento irá cobrir Nação no dia após o impeachment.

Alguns demorarão um pouco para perceber, outros perceberão mais rápido. A conclusão mais certa que já está no horizonte é de piora da crise política e social, do arrocho ao trabalhador com as pautas do novo governo e de uma política de menos direitos.

Ao raiar desta quarta-feira, 31, a política do Brasil iniciará um novo ciclo. O dia seguinte ao impeachment promete agravar a já crônica crise social e política do país.

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