O expert Rodrigo Maia

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução/Internet.

Após muito mistério o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou para 12 de setembro, uma segunda-feira, a votação do parecer que recomenda a cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Exatamente no script que o Palácio do Planalto e Temer gostariam: que a cassação de Cunha acontecesse apenas após o impeachment de Dilma no Senado, previsto para o final de agosto, considerado o mês de grandes tragédias da humanidade.

O 12 de setembro escolhido por Maia causou estranheza em Brasília. Quem conhece as atividades do parlamento sabe que as segundas-feiras é dia de quórum baixíssimo. Para se efetivar a cassação de um parlamentar precisa de no mínimo 257 votos, dos 512. Assim, ausências e abstenções favorecem Cunha.

A manobra para salvar o mandato de Eduardo Cunha tem um motivo. Auxiliares do vice-presidente em exercício interino da Presidência, Michel Temer, estão receosos que Cunha possa retaliar o governo para tentar salvar o mandato, que já encontra-se em estado terminal.

Questionado sobre a escolha da data, Maia alega que “independe da data” os deputados estarão presentes. Que deputados? Numa segunda-feira e em meio ao processo eleitoral nos estados, onde já é de conhecimento público o esvaziamento da Câmara? Conta outra.

A operação #SalvaCunha está em curso e pode acontecer num piscar de olhos. Mais dia, menos dia o Juízo Final chegará para arrebatar aquele que tanto usou e abusou da prerrogativa do cargo para atazanar a vida política brasileira.