A história do escorpião e do sapo na vida moderna.


Existe uma antiga fábula que conta que escorpião e o sapo tentaram estabelecer uma parceria, que literalmente naufragou. Numa espécie de acordo de cavalheiros (que garantia a sobrevivência de ambas as espécies), eles se aventuraram na travessia do rio. Para a surpresa do sapo, o escorpião não contém sua natureza e aplica seu veneno no único responsável também pela sua vida, levando ambos a sucumbir no rio.

Voltando para nossa era moderna e tecnológica, estive pensando num paralelo semelhante à esse acima, sobre a relação de hospedeiro e predador entre a tecnologia e seu desenvolvimento. Vou dar um exemplo prático, sobre o uso que tenho feito do Facebook ultimamente. Percebi que o número de acessos à minha timeline (e consequentemente ao site) caiu consideravelmente. Meu desinteresse vem da constatação de que o que aparece por lá, não parece mais ser relevante para mim.

Faz-se necessário explicar que toda a tecnologia tem seu ciclo de utilização: começa com a adoção gradual, depois aumento considerável do número de horas, chega-se no auge da utilização (que beira a compulsão) e por fim o gradual desinteresse. Além das redes sociais, tenho mais alguns exemplos desse ciclo: tamagoshis, second life, etc.

Por isso, e não à toa, as empresas de tecnologia investem muito para que o seu principal produto não se torne obsoleto da vida dos seus clientes. Até porque o fato é que esse ciclo de vida está cada vez mais curto com o passar do tempo. Antes mesmo que a empresa perceba, ela pode já estar morta na vida de muitos (vide MySpace).

E Facebook, mesmo sendo uma empresa multi bilionária, não escaparia dessa regra. Tendo que se provar um investimento rentável aos seus acionistas-apostadores, a empresa gasta todo o tempo e o dinheiro possível para aprimorar seu site, seu core business. Eles aperfeiçoam o algoritmo para que o site possa apresentar não só melhores resultados orgânicos aos usuários, como mais propaganda à eles. Afinal, a máquina tem que lucrar.

Pois bem, nessa busca incansável por entender cada vez mais o usuário, seu comportamento, seus likes, emoções, os lugares que frequenta, entre milhares e milhares de dados; o resultado óbvio é o efeito maléfico da ciência do Big Data: a falta de criatividade.

Hoje, eu não espero mais que o Facebook me surpreenda, aliás acho isso bem difícil de acontecer. E pior, prevejo que essa mesma relação migre para as outras plataformas também de controle da companhia: como whastapp e instagram.

Esse é o mal do desenvolvimento excessivo da tecnologia de Big Data, na minha opinião. Tornar o Facebook uma ferramenta extremamente inteligente nos impede de ver a diversidade, o desigual, o incômodo. E, do lado do anunciante, cada vez caro atingir a audiência.

Já percebi isso no Instagram. Faço um post em uma conta corporativa e vejo meu próprio post demorar cerca de 1 dia para aparecer na minha timeline pessoal. Minha pergunta é: seguir uma conta corporativa, à princípio, já não seria minha autorização para me manter atualizada com o que eles postam?! Não na opinião da plataforma. Por isso, o grande sucesso do stories: efêmero mas automático. Real time.

Não acho que isso seja o início do fim ainda. Aliás, os números de usuários no Facebook só crescem ano a ano. Mas na minha opinião, preferia o início de tudo, com o site menos “inteligente”.

Mas não se pode lutar contra o evolução, certo?! Acho que afinal, sou só uma pessoa muito saudosista.