Carrie Bradshaw é meu spirit animal

escrever é mais ou menos como a Carrie Bradshaw faz parecer em Sex and the City. só que com mais city, menos sex e quase nada do drink cosmopolitan que ela pede em todo bar que para. e ela sempre para.

a única coisa que aprendi naquela noite foi que eu talvez devesse ter ficado em casa

eu trocaria o cosmopolitan por alguma cerveja com mais colarinho do que deveria em algum boteco por aí. o computador antigo parado no canto do quarto dela é substituído pelo chromebook que eu tenho a sorte de ter no meu colo em qualquer lugar do mundo — que geralmente é só algum buraco com internet sem fio na infinita cidade de São Paulo.

escrever é mais ou menos do que a Carrie faz parecer. tem a coisa da vida que inspira a arte, tem a coisa da arte que inspira a vida, tem a coisa da epifania que ai meu deus eu preciso escrever agora senão isso vai se perder e essa frase ficou muito boa. tem a coisa de ter um insight, um estalo e o celular estar sem bateria e ir correndo pra casa repetindo mil vezes a mesma frase que é pra não esquecer vírgula alguma: eu nunca lembro de nada vírgula mas de você eu não esqueço ponto.

escrever é dissecar o peito e, quase que categoricamente, planilhar em linhas os pensamentos. escrever é aceitar que a vida é quase sempre tão enrolada, bagunçada e volumosa quanto o meu cabelo, mas, diferentemente dele, dificilmente água e creme resolvem alguma coisa.

tem gente que nasce sabendo o que vai fazer a vida toda.

eu tenho certeza que nasci escrevendo sobre todas as possibilidades.