o que eu aprendi sendo uma mulher solteira que não mente

ou um ode às verdadeiras

tô solteira desde julho. parece que foi ontem, mas as luzes de natal aparecendo por aí me lembram todo dia que não, não foi ontem. o tempo já passou e muito.

agora, vem cá. sem poesia e sem muito filtro, vou falar pra vocês uma grande verdade: é uma merda (e uma maravilha) ser uma mulher solteira que não mente.

é sério. eu opto por não mentir se não tô afim, opto por não mentir se tô super-afim e não deixo de chamar pra uma segunda, terceira, quarta, quinta, décima-nona breja se ainda estiver afim de dividir brejas e a mesa com você. não tem porquê.

não vou ficar sentada esperando iniciativa de ninguém pra saciar uma vontade que eu tô sentindo. saca? não é tão difícil.

aí é que começam os problemas.

a gente tá vivendo nessa desgraça de geração que qualquer mínima demonstração de sentimento já é apego. ah, é, daí ferrou mesmo. gostar não pode.

gente, quem disse? eu amo meus amigos demais, grito isso aos quatro cantos e a quantidade de abraços que eu dou na linda da minha amiga de planejamento lá da agência que detesta abraços só prova que eu tenho zero problemas em demonstrar sentimentos (isso hoje, mas o passado fica pra outro dia). amo conhecer gente nova, amo conhecer histórias diferentes, amo conhecer contextos, caminhos percorridos, histórias vividas, amores passados.

conhecer gente enriquece nossa alma! por que eu deveria me privar de algo assim? não deveria, né? acho que não.

tá. vamos voltar aos problemas.

eu sou uma mulher solteira que não mente. por isso, saí com pessoas diferentes em momentos dos mais distintos possíveis e você-não-vai-acreditar-no-que-aconteceu. saí com caras bizarros (inclusive um que eu faço questão de contar que mandou um “nóis se vê por aí” quando eu fechei a conta e fui embora no meio do rolê), uns legais que… nhé, uns divertidíssimos que viraram amigões e um que me interessa mais, outro menos, outro zero. a vida, gente. a vida é isso. conhecer gente.

nesse tempo, fui embora de furada, fiquei até o metrô abrir pra tiro certíssimo. deixei a vida seguir seu curso e disse nãos, sins. tenho deixado.

mas nem sempre te deixam deixar. saca? você chama pra segunda breja e até rola, mas a terceira já é demais e começam os “é aniversário da minha sobrinha…” até que a conversa foi tão lá pra baixo que fica depois do grupo da viagem de fim de ano. galera perde o interesse e esquece de avisar. minha bola de cristal quebrou no dia que eu baixei o tinder, lindo. avisa, tá?

até porque eu não tô procurando um novo amor, não tô procurando um novo namorado, não tô aqui pra curar ferida passada. até porque ferida passada não se cura com amor novo, mas com amor próprio. né? me curei sozinha antes de voltar pro mundo.

eu tô aqui pra deixar a vida acontecer e me levar pra onde ela achar que tem que me levar. eu tô aqui pra viver cada dia com gostinho de sexta-feira e torcer muito pra ser lembrada por onde eu passar. eu tô aqui pra respirar outros ares, conhecer novos lugares e dividir mesas por aí com as mais diversas faces que eu puder encontrar. eu tô aqui pra viver cada segundinho com o meu maior sorriso vestido no corpo todo.

e eu não vou deixar de te sorrir e te chamar pra uma próxima se eu estiver afim só porque você vai me achar atirada. não vou passar vontade pra não parecer facinha. cara, se tem um negócio nessa vida que eu me orgulho de ser é fácil (além de uma excelente profissional e boa amiga)! eu nunca fui uma mulher difícil. eu rio fácil, canto fácil, danço fácil, vivo fácil! encaro a vida como se ela fosse facílima — apesar de não ser. sou sagitariana, pelo amor de deus. ou vive comigo, ou me deixa viver!

eu encaro a vida com verdade. quem me trombar pelo caminho vai precisar se acostumar ou abrir espaço.

deal?

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