Por que não comemorei a eliminação de Marcos

Ontem o participantes Marcos foi expulso do BBB.

Um alívio para grande parte dos que vinham acompanhando o casal desde o início do programa e se chocado, cada dia um pouco mais, com o comportamento do médico em relação a sua jovem namorada, Emily.

O médico que já havia gritado e apontado o dedo para praticamente todas as mulheres da casa, também não economizava no machismo e fazia constantes comentários do tipo: “Emily você não deveria ficar com a garrafa na mão, isso não é bonito para mulher”.

Um comportamento lamentável, mas nada que justifique, nem para a equipe do programa nem para o público que assiste, a expulsão do participante.

Mais do que isso, as atitudes de Marcos, desde os comentários machistas até as brigas com membros da casa e o relacionamento abusivo estabelecido com Emily, eram a única coisa que movimentava o programa, que com um casting sem graça teve neste ano uma de suas piores edições.

Assim, contestar Marcos era contestar sua principal fonte de audiência e isso nunca é uma tarefa fácil para uma empresa de comunicação – especialmente quando a polêmica envolve “causas mais recentes e abstratas” como o abuso psicológico.

Por isso, embora exista razões para celebrar o resultado de toda essa polêmica, como jornalista e como feminista, não posso deixar de apontar o claro despreparo da emissora ao lidar com a questão.

Veja bem, primeiro, foi necessário que a internet apontasse os sinais para que a emissora identificasse o abuso.

Em seguida esperou-se um caso extremo para que qualquer tipo de intervenção fosse feita – uma intervenção bastante atrapalhada, por sinal.

Ao mediar a crise, a emissora exigiu da vítima, uma participante de 20 anos, que estava sendo psicologicamente acuada e tendo seu drama televisionada para todo o Brasil, que assumisse a responsabilidade de eliminar o participante – o que claro, não aconteceu.

Pior do que isso, sem conseguir que a participante se colocasse como a grande responsável e nen que o público o eliminasse pela votação, a Globo pareceu não saber o que fazer. E seguiu o jogo até que justiça, literalmente, a obrigasse a parar.

Com a intervenção da delegacia da mulher, a emissora finalmente se viu sem opções, ou desculpas, ou, como disseram no programa, “medo de serem injustos” e finalmente tiram o participante do jogo.

Uma atitude atrasada, mas ainda assim necessária, que perdeu o que restava do seu brilho ao explicar seus motivos.

“Especialistas constataram que houve agressão e agressão causa eliminação”, justificou Tiago Leifert, em seu discurso, no qual aponta ainda que Marcos havia “perdido o espírito esportivo” e por isso não poderia continuar jogando.

Bons motivos para uma eliminação, claro, mas que deixam no ar a pergunta: o abuso psicológico não seria agressão o suficiente?

Afinal, porque é tão difícil dizer: abuso psicológico também é violência, também é crime, e não deve ser aceito em qualquer casa – especialmente na casa mais vigiada do Brasil?