Reportagem — Sacolinhas plásticas: não importa se você usa como lixinho no banheiro

Porque eu e você temos que parar de comprar as sacolinhas do mercado

O que micropartículas plásticas encontradas flutuando pelo Pirineus tem a ver com a aquela sacolinha que eu peguei no supermercado (sem muita culpa, afinal eu sempre uso ela de novo)? Infelizmente, tudo. Ao menos é o que aponta uma pesquisa publicada por cientistas do EcoLab da Escola de Agricultura e Ciências da Vida, em Toulouse, na França.

Após cinco meses recolhendo amostras do “ar puro” das montanhas nevadas (área sem nenhuma fonte de plástico em um raio de 100 km), os pesquisadores encontraram micropartículas do material sendo transportadas pelo ar, o que prova: 1. Que o plástico se espalha pelo mundo de forma tão difusa quanto o pólen ou a poeira. 2. Que a vida marinha não é a única que sofre com isso. E 3. Que sendo assim, mesmo que você use a sacolinha do supermercado 87 vezes, um dia ela ainda vai se decompor e contaminar o ar que a gente respira (e bom, não vai dar nem para fugir para as montanhas).

Mas o microplástico é tão ruim assim?

A ideia de respirar pedacinhos bem pequenos de plástico, ao menos para mim, já parece obviamente ruim. Mas essa é uma pergunta justa e com uma resposta menos óbvia do que a gente imagina. Até agora, como acontece com o aspartame, por exemplo, tudo que os cientistas conseguem afirmar é que “sim, provavelmente o microplástico faz bem mal para a nossa saúde”.

O fenômeno do microplástico é razoavelmente novo para a ciência e, por isso, não existem estudos suficientes para afirmar que a ingestão de microplástico pode causar essa ou aquela doença para o ser-humano. Mas uma coisa é certa, o que se sabe até agora não é lá muito promissor.

Pesquisadores lembram, por exemplo, que parte destes microplásticos tem em sua composição combustíveis fósseis, que, já sabemos, notavelmente prejudicam nossa saúde. Também é comprovado que o plástico é um material que absorve outros componentes com facilidade e pode trazer em si metais pesados e outros tipos de poluentes orgânicos persistentes (POPs), que também já tem efeitos negativos comprovados. Além disso, já se identificou que partículas muito pequenas de plástico conseguem entrar no nosso organismo através da respiração e se instalar no tecido dos pulmões.

Beleza me convenceu, mas o que eu uso no lugar?

Bom, eu também ainda estou pesquisando. O que já deu para sacar é que não existe uma solução perfeita. Afinal viver afeta o meio ambiente e fabricar sacolinhas também. Maaaas tem algumas saídas…

Entre elas estão a sacolas de bioplásticos e afins, que são feitas com materiais que se decompõe mais rapidamente e não contaminam (ou contaminam menos) a natureza. Isso sem contar o uso de caixas de papelão para lixo reciclado (as sacolinhas, muitas vezes, são leves demais e acabam não sendo de fato recicladas, mesmo quando descartadas corretamente. O que não acontece com o papelão). Isso sem contar os saquinhos feitos de jornal para os rejeitos.

Ah! Tem também a cada vez mais famosa composteira, que já dá um fim sustentável para boa parte do seu lixo orgânico.

Qual escolher? Acho que varia muito do seu estilo de vida. Talvez não dê para fazer nenhuma dessas mudanças agora. Mas sou jornalista, acredito no poder da informação e dos fatos para transformar a realidade. E bom, um fato é: mesmo que você siga a vida usando sacolinhas por aí, não dá mais para dizer: “tá tudo bem eu vou usar no lixinho também”.

Links que podem interessar:

Microplastics are raining down from the sky: https://www.nationalgeographic.com/environment/2019/04/microplastics-pollution-falls-from-air-even-mountains/

Sacos de lixo para coleta seletiva: quais utilizar?: https://www.ecycle.com.br/6276-sacos-de-lixo-para-coleta-seletiva

Afinal, é melhor comprar saco de lixo ou usar o do mercado?
https://www.insectashoes.com/blog/afinal-e-melhor-comprar-saco-de-lixo-ou-usar-o-do-mercado/

Como substituir saco plástico na lixeira — Dicas da Fe Cortez
https://www.youtube.com/watch?v=RJP1OfFGTzo