A garota chegou em casa e deixou de ser. Não existia mais, estava no ponto morto de uma realidade afastada. Nessa moça não havia mais alma. Então, da forma mais delicada possível, ela pousou no chão, e tudo soou como uma melodia profundamente melancólica saindo de um violino. Diante da situação, nem o mais sádico e insensível psicopata resistiria a dor e a tristeza presentes ali.

Mas ela, no sentido mais cru da frase, não se sentia. E não se sentir, era até bom. Baixinho, dizia pra si mesma:

-A vida não te castigará mais, você não terá mais que sentir o peso do mundo sobre seus ombros. Durma, moça.

Quando a garota estava quase deixando o universo escolher qual seria a sua próxima parada, um anjo apareceu, ele não tinha asas, nem poderes concedidos por um ser místico, pelo contrário, era um anjo que nem acreditava muito nesse papo de “além do céu”. E ele, com a mais sincera intenção, a salvou, a viagem até o céu foi meio conturbada pra menina, pois a confusão estava presente. E o céu, não ficava a anos luz desse mundo, não, na verdade, ele ficava a algumas quadras da sua casa e atendia pelo nome de “UNIICA- unidade intermediária de crise e apoio à vida”. E ela viu, que o céu era muito diferente do que todos achavam, nele não haviam somente pessoas puras. Deus, não era um só e o “para sempre” durava alguns meses. No final, a garota recuperou a sua alma e tudo que antes pertencia a ela. E morrer, não era mais uma opção.

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