Crise existencial

Estou tendo uma daquelas coisas que as pessoas costumam chamar de “crise existencial”. São 18h15 e eu passei o dia pensando no motivo pelo qual ainda estou aqui, ou, porque eu ainda deveria. Acho que na realidade minha crise começou lá pelas 2h da manhã, quando eu estava na metade da minha sétima cerveja, no meu provável último cigarro e na terceira partida de poker. Fiquei triste quando vi a minha situação, sai do meu corpo e de longe vi melhor o cenário.

“Mas que droga!”

Minha carteira de cigarro estava no fim, minha vida era uma droga, eu não podia beber e estava bêbada. Qual é a porcaria do meu problema? Não me encaixo nos grupos, as pessoas me dão enjoo e não consigo manter uma relação amorosa por mais de três semanas. Eu sou um exemplo de ser humano vazio e mesquinho. Porque ainda vivo? Acho que depois de duas tentativas falhas de suicídio a gente acaba sentindo vergonha da morte, por ter fracassado até nisso. Em todo caso, voltei pra casa em torno das 4h da manhã, não tomei meus remédios porque estava bêbada demais pra lembrar deles. Acordei 14h da tarde hoje, fui ao cinema e não consegui focar no filme, eu já tinha caído na porcaria do sentimento melancólico.

Minha mãe sugeriu que eu procurasse meu psiquiatra e a minha psicóloga pra ter uma daquelas conversas chatas e previsíveis. “Você está se abandonando” mal sabem que já não existe algo para se abandonar. Não possuo mais alma. Cansei de existir. Se meus médicos não sabem como me tornar uma pessoa normal, como é que eu vou saber? Sou como uma peça de xadrez de algum principiante que não faz a menor ideia de como se joga.

Eu vivo uma crise existencial. Xeque-mate!