A história foi bem parecida nos dois casos: uma informação surgiu no Twitter e ganhou força, chegando à grande mídia. Depois de veiculada a notícia, os portais passaram vergonha: a informação não tinha sido propriamente verificada, e era falsa. E os dois episódios aconteceram com duas semanas de proximidade.

Nos acréscimos de 2016, o jornalista Jorge Nicola, da ESPN, disse em programa ao vivo que, segundo a Rádio Bogotá, o Corinthians estaria trazendo o treinador campeão da Libertadores, Reinaldo Rueda, do Atlético Nacional-COL. Fast forward pra 2017, o globoesporte.com publicou que a Udinese-ITA tinha interesse no atacante Clayson da Ponte Preta, baseado em um tweet da conta Udine Notizia&Sport.

As notícias não diferem em nada de tantas outras especulações de negócios que são publicadas nesta período intertemporada, a não ser por um ponto em comum entre ambas: nenhuma das duas fontes sequer existe. Nada de Rádio Bogotá ou Udine Notizia&Sport. Portanto, a fonte primária das duas informações inverídicas são, apenas, as micromensagens de 140 caracteres, simples tweets.

A princípio são dois episódios pra se dar risada, mas, pra mim, eles levantam preocupação. É esse o rumo que queremos para a imprensa esportiva brasileira? Uma imprensa feita de veículos reféns do imediatismo que podem estar te informando algo errado para ser o primeiro a publicar algo novo? Uma imprensa com repórteres que abusam do futuro do pretérito para noticiar algo que poderia estar acontecendo? São precedentes como esses que tais erros possibilitam. Checar a credibilidade da fonte da informação é o principal na função jornalística, para não ser ele mesmo desacreditado.

O caso levanta também a questão do uso das redes sociais como vetores. São incontáveis as vantagens trazidas pela possibilidade de qualquer pessoa poder jogar na rede uma informação, no entanto, esse privilégio traz consigo um peso.

Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.
Tio Ben

A maior quantidade de informação no mundo trafega pelas redes sociais. Em forma de texto, foto, vídeo, áudio ou snaps, as redes combinam uma quantidade astronômica de informação. No entanto, nada verifica a veracidade do conteúdo que trafega nestas mídias e era justamente aí que se destacaria a função jornalística. Credenciando quem fala a verdade de quem não fala.

E com isso não quero criminalizar os repórteres. Eles erraram, como eu já errei, como todos erram, uma hora ou outra. O que chama atenção é o tipo de erro e a repetição, duas semanas depois. Fica o aprendizado, afinal só se aprende o que é certo ao se fazer o errado.

E acrescente que não acho que o fizeram por maldade — ganhar moral com a torcida do time, mostrar pro chefe que tá publicando adoidado, ver a notícia viralizando — apesar de já ter ouvido histórias impublicáveis de grandes portais veiculando propositalmente informações falsas ou inventadas. O que levanta a hipótese de uma informação que foi passada a você em uma situação dessas ter passado como verdadeira, mas ser inteiramente mentirosa, sem ter sido desmascarada.

Em um mundo sedento por informação, grande competição entre os veículos de mídia, disputa entre os profissionais por emprego, isso tudo ainda num período onde pouquíssima coisa acontece no futebol brasileiro, o que virou notícia na verdade era barriga — jargão jornalístico para informação publicada de maneira errada. Sendo assim, que a resolução para 2017 da imprensa esportiva brasileira seja emagrecer.

Ah, e caso não tenha ficado claro, ambos os casos não passaram de uma trollada que os usuários deram propositalmente. O perfil do Udine Notizia&Sport no Twitter foi criado e recheado justamente para enganar os repórteres e o autor ainda postou um tá ligado direcionado a imprensa fisgada por ele: