Futuro do jornalismo em vídeo tem potencial para transformar a fotografia
João Wainer
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Pra mim a previsão dos frames é correta, mas precipitada. E não por má vontade dos fotógrafos — em geral mais empenhados que muitos repórteres — e sim por falta de hábito não só desses profissionais, mas de toda uma redação que ainda pensa prioritariamente no papel enquanto estamos já em 2017. Portanto até vejo este processo vídeo-fotográfico acontecendo, mas mais para 2027 do que para este ano. E não que isto já ocorra, afinal reproduções de vídeo já estampam capas de jornais há anos, mas é que não será o padrão, como proposto.

Vejo, para este ano, os vídeos jornalísticos na internet consolidadamente separados em duas grandes categorias, que se assemelham a “notinhas” e a “reportagens”. Isso porque são dois tipos bem claros e distintos de vídeos que se destacam na rede: 1) aquele amador, sem qualquer cuidado com o áudio ou o visual, geralmente curto, com muita sorte não será filmado na vertical, mas que flagrou algo tão extraordinário que conquista milhões de visualizações graças a este conteúdo, o que pode ser chamado de viral, e 2) o vídeo produzido, planejado e bem executado, com uma linha narrativa e cuidado praticamente cinematográfico, que geralmente retrata um tema macro — seja político, social, esportivo etc. Mesmo tendo mais de 10 segundos, ao contrário de snaps e stories, eles sobrevivem porque são de grande importância para a sociedade e daí geram o compartilhamento. São dois “opostos” que se completam.

O grande desafio do ano, na minha opinião, será realmente encontrar a maneira de ganhar dinheiro produzindo vídeos para serem consumidos online. Se nem pela informação em sua forma mais básica, escrita, o consumidor médio está disposto a pagar, o que fará entrar na cabeça dele que ele deveria pagar por um vídeo “que ele pode ver na TV de graça”?

Se alguém tiver a resposta eu ofereço o Prêmio Nobel-Pullitzer-Esso de Vídeo Jornalístico 2017.

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