Resenha

Audiodrama do War Doctor Volume 2 — Infernal Devices

Big Finish

Episódios:
Legion of The Lost
A Thing of Guile
The Neverwhen

Com o sucesso do volume 1 — Only The Monstrous escrito por Nick Briggs, somos apresentados ao volume 2 — Infernal Devices. Se no primeiro volume pudemos vivenciar a Time War no ponto de vista de personagens intrigantes, este volume é quase um ensaio de áudio, criado por John Dorney, Phil Mulryne e Matt Fitton. O ouvinte conhecerá o impacto que a guerra tem sobre seus participantes. Neste arco é explorado a dicotomia vida e morte.

Os três episódios cada apresentam, cada um, diferentes “super-armas” — as peças infernais (Infernal Devices).

Numa guerra travada no espaço e no tempo, o impensável deve ser pensado para obter vitória, e nem Daleks, nem Time Lords podem dar-se ao luxo de serem melindroso sobre seus métodos. Quando a destruição de uma arma poderosíssima leva o Time Lord renegado, uma vez conhecido como o Doctor a descobrir um terrível segredo de seu próprio povo, ele mal consegue acreditar no custo deste segredo. Deverá a vitória ser alcançada a qualquer custo? Será que existem possibilidades piores do que perder para os Daleks?

Enquanto que o primeiro volume é dividido como três atos como se fosse um filme, o segundo é dividido em episódios distintos mas que pertencem ao mesmo arco, é mais como uma trilogia.

Mesmo que o tema central fosse os Infernal Devices, eles estão um submersos na história. O que é de grande destaque nesse arco é a interação entre os personagens.

Nick Briggs dirige e utiliza as sua performance habitual de Dalek centrando-se em momentos de grande ação e tensão.

De John Dorney — Legion of the Lost leva-nos ao encontro com uma raça de Technomances, liderado por Shadovar de David Warner. O War Doctor passa o tempo com Collis (Zoë Tapper) um Time Lady dedicada que é passa por uma série de mudanças na sua moralidade devido a uma certa experiência entre os Time Lords e os Technomances.

Phil Mulryne — A Thing of Guile. Neste episódio vemos o Doctor, ironicamente, preso por crimes de guerra. A Cardeal Ollistra (Jacqueline Pearce) tem a missão de investigar com o Doctor e outros Time Lords uma estação de alta segurança de uma facção Daleks no asteróide Theta 12. Quando a natureza da super-arma é descoberta pelo War Doctor, é aberta um novo leque de possibilidades para os Time Lords, mas os Daleks também estão a criar algo aterrorizante e cabe a ele, a Ollistra e aos outros Time Lords investigarem o que se passa nesse asteróide.

A história também tem uma ação em segundo plano: enquanto os nossos heróis estão no asteróide, existe uma tripulação de uma nave espacial que luta para sobreviver e para garantir o sucesso da missão principal.

Neste episódio é comovente ver outro Time Lord, que inspirado pelas ações do Doctor, e que admira vê-lo como alguém que escapou e viveu várias aventuras em sua vida ao invés de ficar preso em Gallifrey. Este foi um aspecto que eu gostei da série do War Doctor até agora: explorar os Time Lords que não são só manipuladores, gananciosos e idiotas.

Este este episódio é o mais lento entre os outros dois em questão da evolução de história. A interação entre o War Doctor, a cardeal Ollistra e com os outros Time Lords são ótimos para ouvir. Também gostei da forma como lidaram com os Dalek no final.

Matt Fitton- The Neverwhen. O fluxo temporal é dilacerado num mundo desgastado por uma batalha sem fim onde o próprio tempo é uma arma e tanto as pessoas e as armas estão em constantes evoluções e regressões. Num mundo onde a morte é constante, mas nunca permanente; onde lutar não faz mais sentido; onde a guerra nada mais é do que o eterno inferno para todos aqueles que estão presos neste mundo. Poderá o War Doctor salvar o dia?

Neste episódio temos War Doctor ainda acompanhado por Ollistra. Num diálogo bem trabalhado. A capacidade do Doctor em distinguir os lados da guerra vem à tona.

The Neverwhen é um grande exemplo da Time War em ação, e do porquê o Doctor tem tanto medo que ela retorne. Esta história é definitivamente um exemplo da pura insanidade da guerra.

Este é o meu episódio favorito de Infernal Devices, como é bom ver o que acontece quando o próprio tempo é usado como uma arma — algo que estava implícito ter acontecido na série de TV mas que, para mim, nunca foi demonstrado de forma decente.

O conflito em curso entre o War Doctor e Ollistra atinge um novo patamar neste episódio, quando discorda sobre o uso terrível que uma arma tão perigosa pode ter, e como ele deseja acabar com uma batalha interminável, enquanto que Ollistra está disposta a sacrificar tudo para terminar com a Time War e mesmo que ela tenha que abandonar parte de seu próprio povo. O que é igualmente interessante na Olistra, é que ela realmente tem algumas opiniões interessantes sobre as razões dos sacrifícios que devem ser tomados, e também sobre o facto do War não poder ser o Doctor. Ele ainda pode tentar ser o homem que o universo precisou, o problema é que o universo agora precisa de um guerreiro que seja capaz de tomar as decisões mais dolorosas para dar fim a guerra.

Mesmo recusando em ser chamado de Doctor, o War demonstra ter a mesma bondade de todas as outras encarnações.

Ollistra comporta-se com o Doctor muito como um inimigo e também como proto-companion, tal como a Missy foi para a Clara em The Magician’s Apprentice / The Witch’s Familiar.

Uma coisa que acho levemente frustrante no War Doctor é o facto de não vemos o seu lado mais cruel, mas considerando o quão velha é a sua encarnação nestes volumes, penso que, talvez, ele tenha chegado ao ponto que a Time War já dura há tanto tempo que ele está simplesmente cansado de lutar.

Os personagens descrevem perfeitamente os diversos elementos do enredo. Basta ouvir algumas das cenas de personagens de sendo engolidos por monstros, efeitos das armas, passos, gritos. Eu consegui sentir com vivacidade a sensação de perigo por todo o arco.

No geral, Infernal Devices foi um fantástico conjunto. Tal como em Only The Monstrous, este arco também demonstra o sofrimento da guerra e as questões morais, ao mesmo tempo, a introdução de novos personagens. Mais importante, essas histórias encaixam-se unicamente no Doctor de John Hurt, histórias essas que mostram um sofrimento intenso, que revelam grande coragem, e que têm um lado mais sombrio e mais pessimista. Nesse arco temos muito o que saborear. Este segundo volume é altamente recomendado.

Mal posso esperar para setembro para o lançamento do Volume 3 — Agents of Chaos em setembro.

Resenha: Audiodrama do War Doctor Volume 1 — Only the Monstrous

Proclame ❤ ao mundo.
Obrigada pela leitura.