(Des)arrumar

Notamos o desconforto e pedimos algo confortável, mas como pinica, o novo.

Deixamos o vento chegar, bagunçar o que já foi certo — “mas o que era certo?”, perguntamos, quando nada parece familiar.

A mesa antes arrumada se veste de papéis, e pedimos, encarando o novo, que tudo volte ao normal — “mas o que era normal?”.

Por um breve instante esquecemos que o vento entrou porque deixamos as janelas abertas e recolhemos assustados nossos rascunhos. Queremos a antiga obra final.

Mas pouco andamos até nos lembrarmos da limitação naquele enredo, do desajuste naquela rotina. O compasso era de um tempo que não nos cabia.

Verdade é que abrimos a janela para observar o vento mover as certezas e trazer novos ares. O que buscávamos era o que simbolicamente evitávamos. Eram as mudanças, carregadas de medos mas também de desejos.

que alívio.