O POVO E O BRASIL

ATÉ VISTO DE FORA, OS ERROS SÃO GRITANTES.

Ontem quando estava procurando assunto para escrever o “Povo e o Brasil”, e querendo fugir dos temas recorrentes, como Sergio Cabral, Moreira Franco, a incrível desfaçatez do nosso Congresso.

Acabei me deparando com uma excelente entrevista feita por Eduardo Salgado para a revista Exame, com o Professor Bem Ross Schneider. Professor do MIT — Massachusets Institute of Tecnology e especialista em política comparativa e também especialista em Brasil.

O Professor Schneider, acabou se especializando em assuntos brasileiros, em função de um curso de pós-graduação feito por ele na Columbia University, em cujo curso, o palestrante brasileiro era o nosso muito conhecido, jornalista Elio Gaspari. Isso aconteceu no inicio dos anos setenta, portanto há mais ou menos 40 anos.

O fato é que o professor estuda o Brasil até hoje, e para não perder a linha de raciocínio, vou reproduzir alguns trechos da entrevista. Disse ele “ países como o Brasil, tendem a cair na “armadilha da renda media”. As instituições internacionais, como Banco Mundial, dividem os países da seguinte forma; países que tem um PIB inferior a US$ 1.025,00 são classificados como baixa renda.

Os de PIB de US$ 1.026 a cerca de US$ 12.500,00 são considerados de renda média, e a cima são considerados renda alta. A maior parte dos países de renda alta e portanto considerados ricos, conseguiram sair da renda media para a alta há cerca de 30 anos

. A “armadilha da renda media” expressão usada para definir os países que saíram da renda baixa, foram para a renda media, mas não conseguiram entrar para o clube da renda alta. São incapazes de manter um fluxo de crescimento e produtividade estável.

Os países que conseguiram passar essa barreira, foram países que registraram avanços nas áreas de educação, inovação, infraestrutura, justiça e estabilidade macroeconômica. O grifo é meu, afinal até de fora, são visíveis os absurdos que ocorrem por aqui.

Com grandes volumes de investimento em educação, infraestrutura e justiça e ainda assim, não conseguimos virar o jogo. Por quê? Porque não temos consciência politica na administração dos recursos públicos, normalmente desviados e transformados em propina. Isso é recorrente em todos os níveis conforme estamos observando.

Mas vamos voltar ao Prof. Schneider, diz ele “ Hoje o Brasil investe exatamente o que os países ricos investiam, exatos 1.2% do PIB. Só que há 30 anos atrás!! Nossas pesquisas indicam que os obstáculos não são econômicos, são totalmente de natureza política.

Pesquisas e projetos de desenvolvimento demandam mais tempo que um mandato presidencial. Não falo de partidos, mas da incapacidade de países como o Brasil em formar coalizões de diferentes grupos sociais para obrigar os políticos a levar os projetos adiante.

E por fim, de um modo geral três fatores impedem a união de pessoas presas na armadilha da renda media. A desigualdade social, a existência de empresas em diferentes estágios e com interesses difusos — as multinacionais as grandes, as medias e as pequenas empresas nacionais — e um grande mercado de trabalho informal. Cada um desses vários grupos possui prioridades diferentes. Esses embates são muito claros no Brasil atual”

Assim, a entrevista do Porf. Schneider deixa claro os pontos que temos insistentemente abordado aqui. Hoje o maior problema do Brasil, é a classe política escudada atrás de foros privilegiados, imunidades parlamentares e, claro. Homiziados na ilha da fantasia que consegue distorcer a linha de raciocínio dos mais ferrenhos defensores de novas políticas para o Brasil.

Lembre-se o Brasil quer e precisa de uma constituinte não congressual.

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