Tenho consciência que o assunto o qual vou colocar para debate, vai criar celeuma, mas isso faz parte de quem escreve e expõe suas ideias. Só gostaria que o debate, se houver, seja educado e consciente. Tenho colocado para discussão aqui no Goback, o que eu chamo de “vitimismo” brasileiro.

Puleiro onde montes de preguiçosos se homiziam em busca de uma cota para universidade ou emprego. Ninguém nasce fracassado por ser pobre ou negro, mas esse sentimento caiu como uma luva para milhares de brasileiros. Analisando esse assunto, negro, me deparei com um fato absolutamente inusitado ocorrido recentemente.

Qual a diferença entre uma mulher branca ou uma mulher negra? Vou contar o caso e voltarei ao assunto ali a frente. Uma menina aqui da nossa cidade, Curitiba, chamada Thaune Cordeiro, 19 anos, foi hostilizado por estar usando um turbante. Eu nunca imaginei que turbante fosse exclusividade da raça negra.

Entendo que em regiões do Mundo se usem mais, ou menos turbantes, mas não é uma exclusividade das mulheres negras. Mas voltando ao fato da nossa (Curitibana) Thauane, que por razões de doença estava usando o adereço que ao que parece, até então era de uso exclusivo das mulheres negras.

Vou resumir o relato dela; em setembro passado, fui diagnosticada com leucemia, a doença se desenvolveu em decorrência de uma anemia mal tratada. Como me sentia cada vez pior, decidi procurar um medico, quando veio o diagnóstico de leucemia, finquei em estado de choque. Iniciamos o tratamento e meu cabelo começou a cair, não suportava ver aquilo, tomei a decisão de cortar de vez. Para me apoiar, meu irmão raspou o cabelo dele também, choramos juntos. Quando fui a São Paulo visitar meu namorado, cheguei totalmente careca, ele foi me buscar na rodoviária, e senti uma terrível vergonha.

No dia seguinte, para me animar, uma amiga sugeriu que eu comprasse algo bacana, da discussão, surgiu a ideia do turbante. Fomos à rua 25 de março e achamos uma loja que vendia por R$ 25,00, experimentei e a sensação foi ótima, o volume me dava a sensação de cabelo. Eu me senti bem pela primeira vez em muito tempo. Animada, fui encontrar o meu namorado.

Na estação, enquanto esperava meu namorado, passou um grupo de meninas negras. Uma delas veio até mim e disse que eu não poderia usar aquilo. Por que perguntei? Ela disse, porque você é branca! Tirei o turbante e disse isso aqui é câncer. Elas foram embora, mas eu fiquei péssima.

Bem essa é a história ocorrida com a Thauane, que me fez pensar na natureza humana. As meninas negras, não tinham condição de saber do estado da nossa curitibana, por outro lado à atitude delas me leva a perguntar, e o uso de calcinha?

E do porta seios, é uma exclusividade de mulheres brancas? E a menstruação, e ter filhos? Tudo mais, é comum para negras e brancas, menos a moda? Qual será a linha de raciocínio que leva a definir se o que uma mulher usa como indumentária é o que caracteriza sua raça?

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