Tilapias uma solução para os queimados.

Os queimados na parada ainda terão que esperar até outubro de 2018. Já os queimados com fogo estão tendo uma oportunidade muito especial desenvolvida pela Universidade Federal do Ceara.

A espetacular noticia esta sendo a descoberta por essa instituição, da utilização da pele da tilápia, peixe muito saboroso e abundante em águas doces no Brasil. A universidade cearense, descobriu que a pela da tilapia tem o dobro de colágeno que a pele humana, em especial o colágeno do tipo 1, envolvido no processo de cicatrização do organismo.

O tecido tem alta capacidade de absorção de líquidos e ao ser aplicado sobre uma ferida úmida como a provocada por fogo ou superfícies muito quentes absorve água como uma esponja. A boa noticia é festejada nos círculos médicos porque no Brasil cerca de 1 milhão de pessoas sofrem queimaduras a cada ano.

O grande problema nesse tipo de ferimento é o tempo que leva para a cicatrização e regeneração da pele humana. O desafio dos médicos é proteger o local queimado e a troca dos curativos, que hoje é feita com cremes com ação antibiótica e sobre o ferimento, gazes. Quem já se queimou sabe da dificuldade em trocar o curativo que via de regra, tem que ser trocado diariamente ou mais de uma vez por dia.

No caso da pele de tilapia pelas suas qualidades já descritas, o curativo pode ser trocado a cada cinco dias. A descoberta começou quase que acidentalmente. O cirurgião plástico, Marcelo Borges, ficou intrigado com o numero de artigos femininos feitos com a pele da tilapia. Cintos, bolsas, sapatos tudo feito ou forrado com pele, o que chamou a atenção do médico foi a espessura, 0,5 e 1mm e ao mesmo tempo tão resistente.

O medico que trambalhava em um banco de tecidos humanos, imaginou fazer um teste com a aplicação em queimaduras. A parceria com outro cirurgião plástico Edmar Maciel acelerou as pesquisa e fez com que eles chegassem a um formato muito bem sucedido.

Já em agosto o sistema chamado de segunda pele, devera ter o aval da ANVISA, Agencia Nacional de Vigilância Sanitária para ser aplicado em escala nacional. Outra boa noticia é o aspecto econômico, a quantidade equivalente a sete tilapias é suficiente para cobrir uma queimadura que tenha comprometido 30% do corpo de um adulto.

O processo que leva 10 dias para ser concluído é de alta complexidade. Após ser extraída do peixe apele é lavada com água corrente, depois separada em caixas isotérmicas e levada para um laboratório da própria Universidade Federal do Ceara. Lá é lavada em solução salina, recortada em tiras e submetida uma primeira esterilização.

Em seguida é enviada para o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo, para a definitiva descontaminação de vírus. O material volta então para o Ceara onde é armazenado à temperatura de 4 graus. A partir disso já pode ser utilizada. Cerca de 100 pessoas já foram beneficiadas com o produto, e o selo da ANVISA será o atalho para uso nacional e internacional do produto.

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