fumaça
… fumar me tornou meio poeta. Mais atriz, mais calculista, mais absurda.
Fodeu meus pulmões. Me fodeu de dentro pra fora, como os romances do Garcia Márquez.
Mas entre uma baforada e outra me senti mais perto de mim. Só adicionei um vício a mais na minha eterna coleção de tapa-buracos emocionais.
Cada um preenche seu vazio existencial da maneira que convém. Usei livros, café, chocolate, álcool e cigarro.
Cada um por si.
E nessa brincadeira de brincar de sério — sem seriedade — , percebi algo que não havia percebido antes.
Cada um se tapa, se cobre, se fantasia, faz a cena que convém. O teatro que agradar, a defesa que puder.
Cada um escolhe a coreografia que melhor convir, o melhor sapato e a melhor expressão.
Somos alegorias de nós mesmos, aquela velha roda eterna de verdade-ou-consequência, onde vamos desvendando uns aos outros aos poucos, mas sem nunca desvendarmos a nós mesmos.
A não ser quando nos rasgamos.
Baby, aqueles que se rasgam entram para a história.
Aqueles que se dilaceram de dentro pra fora, que se fodem de dentro pra fora.
Aqueles que ousam a conhecer a si próprios.
A amar seus ódios e odiar seus amores.
A entender aquela bobagem, aquela matéria orgânica em estado de putrefação que nosso caráter, inegavelmente, é.
Somos quem queremos ser. Ou quase isso. Na verdade, somos aquilo que amamos.
Ou não.
Não somos nada.
Mas antes de filosofar sobre o Universo, conhece-te a ti mesmo.
Gregos sempre foram babacas.
Conforme-se, baby. As pessoas não temem a solidão por falta de outro alguém por perto.
Temem apenas ficarem sozinhas com elas mesmas.