Saudades.

E eu queria ouvir todas as histórias sobre você. Aquilo que te tirou o sono, que te cansou o fôlego, que te derrubou na cama, que te fez gritar de êxtase. Saber daquele momento que teus olhos brilharam exatamente daquela forma.

Me surge a vontade súbita de acompanhar todas as possíveis coisas, por curiosidade, observação, fascinação. Principalmente as coisas simples, movimentos de pernas, dobras de pescoço, pontos marcados, esticados na bochecha e no rosto.

E estar extremamente vivo e junto ao meu corpo quando atravessasse as barreiras existentes entre o que poderia ser e aquilo que não é. Guardo aquela vontade danada de sorrir sem censurar meus lábios e dentes, notando coisas quando me cruzasse com teu andar fluido.

Gostaria de poder me preocupar. Sentir aquele aperto do cuidado próximo, atento, que acolhe.

Acolher.

Poder te acolher quando a ansiedade te tomasse o corpo, a garganta fizesse nó e se desatasse em choro. Escutar o silêncio dos espaços entre tuas palavras. Aprender algo novo, espantoso e ao mesmo tempo supérfluo, mas maravilhoso também.

Quem sabe até ser parado por estranhos no meio da rua, eventualmente conversando sobre suas dores e situações tragicômicas.

É, talvez apenas ficar sentado no banco de uma praça observando as coisas acontecerem ao redor, sem muito pra conversar. Dividir um sorvete e fazer carinho num cachorro peludinho. Seria suficiente também.

Na real eu queria te enxergar naquilo que posso sentir, jogando no lixo o imaginar pelo experimentar, o tentar entender pelo viver, arriscando tudo que sei pelo conhecer.

03:14 da madrugada; poderia montar minha pilha de quereres e desejos ainda maior e mais intensa. Poderia escrever em detalhes aquilo que me altera o pulso em cada caractere escrito, mas absolutamente tudo poderia ser substituído por uma única e simples palavra: saudades. E o resto seria dispensável. Eu a carrego e a guardo com muito carinho e afeto.