ATENÇÃO: O texto abaixo é uma manifestação de um pensamento personalíssimo somado à uma série de achismos históricos. Não perca seu tempo corrigindo meus erros.

Eu acredito em destino. É estranho porque não só sou ateu convicto, como também cético com tudo que envolve espiritualismo, esoterismo e afins. Eu respeito, veja bem, e ainda por cima gosto: estudo por alto Astrologia, Quiromancia e Numerologia, mas é um interesse muito mais proveniente de uma curiosidade antropológica do que de uma fé propriamente dita. Ainda assim, acredito em destino.

(Sinto que esse texto vai ser maçante. Parei por um momento para pensar se valeria mesmo a pena escrevê-lo, visto que ninguém se interessaria, mas finalmente concluí que isso não importa: esse perfil existe muito mais para mim do que para você leitor, sem ofensas.)

Minha crença no destino nasceu de uma serie de reflexões obscenamente abstratas — um dos meus passatempos preferidos — desta vez sobre o tempo. A analogia mais comum que vejo as pessoas fazerem é do tempo como uma linha contínua. As figuras das três irmãs que cuidam do fio do tempo aparecem em diversas mitologias diferentes, e comprovam que essa visão do tempo linear é bem antiga. Tirem como exemplo todas as tragédias gregas que envolvem profecias inexoráveis.

Essa ideia segue firme e forte até os dias de hoje. Suspeito que a expansão da doutrina monoteísta cristã pelo ocidente tenha colaborado para tanto: afinal, “tudo faz parte dos planos de Deus”. Chuto que alguém, provavelmente durante o Iluminismo (“antropocêntrico” é um subterfúgio. A palavra que me soa mais condizente é “arrogância”) se inconformou com essa ideia e decidiu que o Homem pode forjar o próprio destino através das escolhas que faz. Muito poético. Muito conveniente, também.

Se fulano foi por um caminho, não foi pelo outro e, desta forma, tomou nas próprias mãos o futuro. Veja, desta forma, a linha deixa de ser linha e passa a ser uma árvore, uma linha que se bifurca e rebifurca em cada escolha para abarcar todo um potencial infinito de combinações. Bem legal. Mas pra mim só funciona enquanto você se coloca no meio da coisa, olhando de frente para o futuro.

Minha visão sai daí, mas é diferente. Simplesmente baseado no fato de que qualquer ponto no futuro já é passado para um ponto ainda mais distante no tempo, então existe um ponto abstrato (matematicamente, um limite) no futuro para o qual todos os outros são passado e assim, portanto, faz cair por terra o valor de qualquer poder de decisão. Sim, no agora, diante de uma opção ou outra, parece que temos esse poder todo. Mas no futuro essa escolha já aconteceu e é imutável. Daí, existe um caminho específico nessa árvore de escolhas que É o caminho inevitável, e todos os outros não passam de galhos mortos.

“Ah, mas esse pensamento é muito pessimista/fatalista!”

Paciência. Eu sou um niilista deprimido, e mesmo assim vivo a vida. Cada um que dê seu jeito com suas reflexões: quem foi que disse que pensar traz felicidade?