Pela glória de Merlin, assista Os Caçadores de Trolls!

Os Caçadores de Trolls

Poucas séries me chamam atenção e nisto não há nem um mérito, apenas o andar relapso de alguém pouco interessado em tudo. Mas quem tem filhos precisa estar atento, e partindo dessa premissa dedicamos sempre dez ou quinze minutos avaliando o que eles estão vendo na TV.

Não posso negar que desde então essas avaliações se tornaram uma espécie de mania, principalmente por que gerou um interesse crescente por animações. Posso dizer que em sua maior parte as animações são bem superiores aos filmes atuais no que realmente interessa, coisa de 3 ou 4 para 1. Não sei o que faz os diretores, roteiristas e animadores, mas eles vão sempre no centro das coisas, aprofundando sempre os temas de uma forma sutil. Talvez seja o público alvo. Não sei, nesse campo é possível fazer uma dúzia de avaliações as quais não estou capacitado.

Foi no início de 2017 que encontramos a primeira temporada de Os Caçadores de Trolls, lançada alguns meses antes, final de 2016. Criada, dirigida e escrita (também) por Guillermo Del Toro, a série é uma verdadeira obra de arte. Será lançada a segunda temporada ainda este ano e já estamos aguardando as aventuras de Jim, Toby, Claire, Blinky e todos os outros. E não somos só nós que esperamos, a série foi muito premiada no Annie Awards (prêmio de animação), tem 93% de aprovação no Rotten Tomatos e etc, por isso imaginamos que muitos outros também estão na expectativa.

Mas o que faz dos Caçadores uma série tão impressionante? A história. Uma boa história é tudo. Jim é um menino de quinze anos, e o que pensamos de um menino dessa idade? Rebelde, só faz e pensa bobagem… não, este não é o Jim. Mas ele não conta nem uma piada? Não ri? É claro que ele ri, mas ele não é um bobo nem um retardado, eis uma diferença brutal: Jim é um adolescente verossímil. Você pode encontrar um Jim na rua. Não é uma generalização, não é um personagem abstrato, não é um estereótipo, é alguém. O pai de Jim sumiu, ele mora e cuida da mãe, mais do que a mãe dele. Mas não só isso, ele vai pra escola, ele tem um melhor amigo (Toby), ele tem uma paixão adolescente (Clara), ele usa o celular, anda de bicicleta por Arcádia — a cidade fictícia da Califórnia onde se passa a história — , e ainda é escolhido por um amuleto para ser o Caçador de Trolls. Mais realidade que isso só se houvesse realmente um Mercado Troll embaixo do centro do Rio de Janeiro.

Ironia, sim, também tem ironia na série, mas os personagens verossímeis, próximos de nós, que cometem erros e não têm uma vida fácil são a primeira atração em situações fantásticas e ao mesmo tempo palpáveis. Quem dera Chesterton — o escritor inglês — estivesse aqui para ver.

A segunda atração é a divisão de Jim e a sua responsabilidade. Ele precisa dividir a sua vida entre ser um menino comum e ser o Caçador de Trolls. Será que ele vai escolher um lado? Não. Jim, como todo mundo, tenta evitar o amuleto no início— objeto que pertenceu a todos os Caçadores de Trolls e que define quem será o Caçador — , mas ao final abraça sua vida, sua circunstância inteira. Aprendemos com o garoto que não é possível fugir sempre da contingência, uma hora precisaremos assumir e ir até o final.

Mas o título diz “Caçadores” e não “Caçador”. Sim, é a terceira atração e paro por aqui, mas há muito mais a dizer sobre a série. O título diz Caçadores porque Jim modifica o paradigma do caçador solitário defensor dos Trolls e guardador do Mercado Troll. É o trabalho em equipe, mas mais que isso, é a amizade que vai mudar “as leis” dos Trolls. De alguma maneira Jim irá dar uma visão mais humana às duras leis daquele mundo de monstros.

Há mesmo uma cena interessante em que tendo ganho uma luta com um oponente Troll, Jim não o executa ao final. Poupando-o, transfigura as leis tomadas até ali como regra única.

Por que será que o amuleto escolheu um ser humano? É a pergunta que se faz o “ancião” do Mercado Troll. Uma espécie de líder mais velho dos grandes seres de pedra. Você também está curioso? Não perca Os Caçadores de Trolls.

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