Entre Extremos


Extremos. Altos, baixos; nunca, sempre; certo, errado… Um caos. Eis o cenário ideal para o estabelecimento da era do desequilíbrio.

Estamos muito acostumados — e às vezes forçados — a decidir por um entre dois extremos, enquanto a oportunidade de recusar ambos e buscar um ponto certo entre eles bate à nossa porta.

Há certa complexidade em encontrar o meio termo entre essas questões e certamente não existem regras para isso, mas talvez exista um pré-requisito que deve ser considerado: não é possível encontrar um ponto tão exato se estivermos estagnados. Digo isso porque tem gente confundindo o “estar equilibrado” com o “estar estático”, e aí acaba sendo exagerado na própria busca pelo moderado. A essência do equilíbrio dito aqui consiste não em ser morno, mas em saber a hora de esquentar e a hora de esfriar, a hora de levantar e a de sentar, a de falar e a de se calar, e por aí vai.

Se tentarmos andar por um meio fio e nos desequilibrarmos, o que acontece? Os braços se movem para todos os lados e o corpo vai para frente e para trás a fim de buscar o ponto certo que vai evitar uma queda e, provavelmente, se pararmos esse movimento, o desequilíbrio nos vence, pendendo para algum lado que vai nos fazer cair. O ponto de equilíbrio é melindroso e só vai ser encontrado através da hora e do tempo certo de nos movermos, de acordo com o que as circunstâncias pedem.

A vida cristã funciona assim. Ficar parado jamais vai nos fazer encontrar o equilíbrio que a própria Bíblia nos exorta a guardar (Pv. 3:21), e são esses pensamentos e/ou atitudes equilibrados que tendem a gerar frutos perfeitos dentro da caminhada espiritual.

Dentro da Palavra, o equilíbrio é abandonado quando algumas questões como fé e obras, lei e graça, mente e coração, colocadas em perfeito equilíbrio pelos apóstolos escritores e até por Jesus, são mediocremente discutidas na busca de uma conclusão sobre qual extremo seria mais vantajoso. É fato que se a Bíblia fala sobre fé e sobre obras é porque devemos exercitar ambas em harmonia e equilíbrio, fazendo com que as obras partam da fé e sejam sua demonstração, assim como a lei é para a graça e a mente para o coração, um complementa o outro.

A verdade é que nos conformamos em sermos negligentes em relação ao estudo da Palavra, vivendo experiências com Deus mas não as entendendo, assim perecendo pela falta de conhecimento como o povo de Israel (Os 4. 6), ou em sermos cheios por inteiro de teologias e estudos deixando de lado o amor ao próximo, a consagração, a dependência de Deus e o próprio Espírito Santo. É necessário saber que há hora de estudo, sim, e que há hora de oração, sim. Hora de pensar, hora de sentir. Entender o que sentiu e sentir o que entendeu.

Buscar o equilíbrio é buscar a perfeição e optar por um extremo é cumprir apenas metade da missão, algo que Deus não quer para o Seu povo. Diante disso, deixo aqui o convite para que juntos, como corpo de Cristo, possamos dar início à um momento equilibrado, onde nossas atitudes agradem ao coração de um Deus perfeito, que por causa dessa perfeição, criou um ponto de equilíbrio entre todas as coisas.

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor, e de equilíbrio.”
2 Timóteo 1. 7