A era do bom senso acabou e você ainda não se deu conta disso.

O que eu vou falar aqui hoje, você talvez na goste de ouvir:

Nunca, na era recente, fomos tão intolerantes a opiniões contrárias as nossas como somos agora.

As vozes que antes tomavam apenas as mesas dos bares, as rodas de amigos, e o jantares em família, ganhou volume e tomou também as redes sociais.

- Coxinhas, não passarão

- Facistas, não entrarão

- Petistas, que vão pra Cuba

- Marxistas, esses não.

- E o bom senso?

- Que vá pro inferno.

Aprendemos a qualificar tudo, mas só desqualificamos os diferentes.

Pare para pensar por um momento. Quantos amigos você já perdeu ou deixou de seguir por ter somente uma opinião contrária a sua? E quantas pessoas do seu círculo de amizade – deixo aqui a brecha para o vídeo do Bauman sobre amigos x redes sociais https://youtu.be/LcHTeDNIarU - pensam totalmente diferente de você?

Vivemos em um delicado momento que nunca se falou tanto em diversidade, mas se aceitou tão pouco as diferenças.

A cada post, uma polêmica.

A cada opinião, uma recriminação.

A cada comentário, uma réplica.

A cada like, um unfollow.

Parece que nos tornamos uma sociedade medrosa, que teme descobrir e entender o outro ponto de vista. Que vive de extremos, de valores convictos e que divide tudo entre certo e errado. No que eu creio e no que eu não creio. No meu e no seu.

Passamos a sobreviver cada vez mais dentro da nossa própria ignorância, da nossa própria utopia de querer que o mundo represente apenas aquilo que acreditamos, renegando a possibilidade de conviver com as diferenças.

Estamos cada vez mais tendendo a nos relacionar com outras pessoas que tem as mesmas ideias, gostos e pensamentos que nós. Criamos um mundo paralelo, uma grande bolha mental, onde deixamos de fora tudo aquilo que não faz parte das nossas crenças.

Vivemos cheios de proteção com medo de cair de cara. Falamos alto para ouvir a apenas a nossa verdade.

Abrimos nossas bocas, enquanto fechamos os nossos ouvidos.

Se a gente rapidamente não se der conta disso, talvez as redes se tornem cada vez menos sociais. E as nossas relações cada vez mais viciadas nos seus próprios laços.