As leis de Newton aplicadas aos gatos

Nós acabamos de passar pelo natal, e com ele, além de Jesus Cristo, comemorar o aniversário de outro homem importante para a história da humanidade. Sir Isaac Newton, o inglês considerado o pai da física moderna, responsável pela invenção do cálculo e das três leis que levam o seu nome, também nasceu no dia 25 do último mês do ano segundo o calendário inventado por um papa (que era, portanto, porta-voz de Jesus). Na verdade, dizem que Jesus não nasceu no dia 25 deste mês, o que talvez tenha deixado o sr Newton um pouco incomodado de ter que dividir seu aniversário com outro homem ainda mais famoso que ele. Mas talvez também, se Jesus não tivesse mentido a idade naquela época em que César ainda recebia o que lhe era devido sem que lhe sonegassem, menos pessoas hoje se lembrariam que além do próprio filho de Deus, outro homem faz anos na mesma data, e Newton fosse mais lembrado somente por gostar muito de maçãs, ou quando tropeçamos durante uma carreira na areia da praia tentando ver quem chega primeiro ao mar e nos estatelamos no chão meio-fofo-meio-duro molhado de água e sal, praguejando contra o inglês que alguns séculos atrás disse que tudo era atraído para a terra. Uma das leis de Newton, a lei da atração, talvez a única lei que nunca nos tenha sido possível burlar. Mas você vê, só esta, porque outro princípio de Newton, a lei da impenetrabilidade dos corpos, prevê que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço no mesmo momento do tempo. Sempre que penso nessa lei, penso que Newton nunca deve ter tido um gato, porque os felinos são especialistas em contrariar essa lei a todo momento, desafiando qualquer espaço que parece que não pode comportá-los a acomodar o felino. Sabe, outra coisa curiosa sobre Newton é que ele morreu virgem. Talvez por isso, a capacidade dos corpos de habitar o mesmo espaço fosse assunto tão absurdo para ele. Na verdade, o que mais surpreende é que a propriedade que permite aos corpos quebrar a segunda lei de Newton livres das sanções que normalmente quebrar a lei têm é a primeira lei do próprio físico. A atração entre os corpos sendo o salvo-conduto que permite que o espaço seja flexionado para comportar ambos no mesmo lugar. O que eu sempre achei mais curioso é que Newton também gostava muito de maçãs, a fruta que costuma estar associada com esse pecado. Aliás, o fato de que a atração dos corpos é, às vezes, considerada pecado mostra que além de Newton, é pela atração que nós quebramos também uma lei de Jesus (ou de seu Pai, eu nunca fui o melhor aluno nas aulas de catecismo). Pensando assim, em como nós, não contentes em quebrar as leis dos homens sempre, ainda quebramos as leis da física, de Newton e de Jesus (ou de seu Pai), não admira que nós tenhamos sido expulsos do Paraíso. Afinal, rebeldes que somos, comemos as maçãs que ou deviam ser deixadas em paz, ou usadas por Newton para formular a lei que faz os corpos se atraírem, mas impede que eles ocupem o mesmo lugar. No fim das contas, quebramos todas as leis em nome de uma, rebeldia tanta que dobramos ciência e religião em um só movimento, movidos pelo desejo de ocupar o mesmo espaço que o corpo que nos atrai. Dizem que Newton era católico fervoroso, o que explica isso de inventar uma lei que proíbe o pecado dos corpos. Eu só não sei como ele explicava para o Senhor o gosto por maçãs. Se Newton tivesse um gato, talvez soubesse que a lei era inútil e não ficaria exasperado em ver tantos transgressores quebrando as regras, suas e de Deus. Por outro lado, como Jesus veio à Terra nos falar sobre amor, talvez ele nem se importasse tanto assim com algumas transgressões.

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