The Comedy Central Roast of James Franco

Roasts são um daqueles rituais difíceis de explicar, mas fazem sentido quando você vê um acontecendo. Homenagear alguém através de piadas que cutucam suas feridas e evidenciam seus defeitos é algo muito mais divertido de se assistir do que uma solene e séria homenagem onde amigos ficam desconfortavelmente elogiando alguém que tem que ficar fingindo modéstia enquanto ouve tudo aquilo. O roast é um jeito de homenagear alguém fazendo um espetáculo, fazendo a gente querer ficar até o final e não correr pra pegar o fim da novela em casa.

Esse não é bem o caso por trás dos Roasts da Comedy Central. O canal há anos produz seus roasts só pensando na uma hora de TV que aquilo vai render, convida um monte de gente que não se conhece para tirar sarro de alguém que já passou por muito ridículo nos tabloides e já foi punchline de piada de todo mundo. Mesmo assim, piadas engraçadas são piadas engraçadas e, na minha opinião, os roasts da Comedy Central tendem a valer a pena pelas que você encontra lá.

O roast do James Franco não fugiu muito dos moldes recentes, porém onde ele se destacou das produções dos últimos anos da CC foi no sua seleção de convidados. Ter amigos de verdade do homenageado trouxe de volta um pouco do clima original dos roasts, afinal o propósito é que quem te conhece pode te zoar porque conhece seus podres e porque você sabe que é tudo de bom coração. A parte ruim da seleção de convidados foi a ausência de comediantes que já provaram ser bons de roasts. Anthony Jeselnik e Amy Schummer vinham mandando muito bem nos últimos anos e, talvez por estarem ocupados com séries próprias, não retornaram esse ano. Aliás, o único comediante a retornar é o indispensável roastmaster general, Jeff Ross, que foi colocado no destacado posto de último roaster.

Uma distinção do humor dos roasts que este em especial me lembrou é o quanto essas piadas precisam do contexto de um roast para funcionar. A maioria dos insultos criativos feitos aqui só são engraçados porque é a única coisa que você pode fazer ali e porque o seu alvo está presente e condizente. Um exemplo perfeito de como uma piada de roast pode ser engraçada só se travestindo de piada é a que a Sarah Silverman fez falando do sobrepeso do Jonah Hill: “Seriously, on a scale of one to ten… Do you even own a scale?” A estrutura lembra um paraprosdokian ou uma garden path sentence, mas o final da frase não muda seu sentido. Ele só não faz sentido. É algo que tem a estrutura de uma piada, faz um pseudo callback a repetir a palavra scale, mas não falou nada. O contexto do roast e das observações que à precederam é que tornam ela engraçada. Isso não é pra dizer que não há material genuinamente engraçado num roast, muito que funcionária em qualquer palco, mas o roast dá espaço a humor que só surge por estarmos num evento desses.

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Falando em humor de roast, Andy Samberg foi lá fazer uma certa subsversão do formato do roast. Toda a graça da performance veio de suas piadas serem autodepreciativas ao mesmo tempo em que sua persona acreditava estar mandando muito bem em “rostear”. A performance do Samberg teve bons momentos, mas na maior parte do tempo eu fiquei só lembrando da performance do Norm McDonald no roast do Bob Saget. Não só Norm impressionou mais por fazer primeiro, mas ele estava tirando sarro do roast e de si de uma maneira mais sútil e comprometida, Samberg estava desesperadamente deixando claro que ele não é bobo e era tudo uma grande piada.

Jonah Hill teve que aturar um monte de piadas de gordo, o que já era esperado, piadas de gordo já estão escritas antes mesmo da gente saber quem é o gordo que vai ser zuado. Uma piada de gordo é tão rápida de se escrever que eu consigo escrever uma aqui sem ter que parar pra comer mais um chocolate. Mas Hill também teve um dos melhores sets da noite fazendo algo que casou melhor “zoar o formato” com realmente fazer boas piadas sobre os presentes: Os insultos de Jonah eram todos muito bem escritos e incisivos, mas ele os interpretou como se estivesse elogiando os amigos, como se não soubesse que o que está falando era um insulto. Esse “experimento” foi muito mais frutífero, ao meu ver, que o de Samberg.

Bill Hader foi fazer um personagem lá em cima e eu já fico puto quando isso acontece. Nunca dá muito certo essa coisa de ter alguém que faz um personagem. Não deu certo com Jeff Garlin, com Andy Dick, com ninguém. Com Hader não foi lá muito diferente e todas as piadas que ele fez podiam ter muito bem ter saído da boca de Hader sem nenhuma peruca. O melhor da presença do Hader foram as piadas sobre ele.

Bom ver também que rolou muito pouca misoginia nas piadas com a Sarah Silverman e a Natasha Leggero. Silverman até fez uma piada sobre Leggero transar com muitos mexicanos, mas ela foi tão bruta e propositalmente sem contexto ou justificativa que foi quase que uma meta piada.

Aziz Ansari teve seu melhor momento expondo como os estereótipos sobre descendentes de indianos estão ultrapassados nas piadas de seus colegas de palco numa bit engraçada e verdadeira, mas o resto de suas piadas foram bem medíocres.

Nick Kroll mostrou que sabe fazer bem o trabalho de zoar celebridades mesmo sem estar maquiado como um de seus personagens.

Seth Rogen provou que mesmo controlando seu riso nervoso um pouco melhor que Jonah Hill ele é um péssimo apresentador.

Todas as piadas sobre James Franco ser lindo provaram que eu não sei o que torna esse homem atraente.

No geral foi um roast mais verdadeiro, descontraído e divertido perto dos plásticos eventos comerciais que foram os últimos três roasts (Ronald Trump, Charlie Sheen e Roseanne Barr), mas não foi tão bem recheado de boas piadas por bons comediantes. Sem contar que os roasts do Charlie Sheen e da Roseanne contaram com ótimos momentos mais “verdadeiros” e pessoais (Patrice O’Neal e Tom Arnold, respectivamente) que quase os redimem.

Pra mim o roast do Bob Saget continua sendo o melhor que a Comedy Central já fez, mas isso é pro James Franco aprender a ter amigos mais engraçados.

Originally published at sobrecomedia.com on September 4, 2013.

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