A República Velha

Uma das frases mais infames do Governo de Usurpação Nacional é copiada de um outdoor de posto de beira de estrada: “Não pense na crise, trabalhe”. Aliada com a marca “Ordem e Progresso” extraída do apogeu positivista do século XIX, mostra como a ponte para o passado está sendo construída.

Quando os golpistas pedem para apenas trabalhar e não pensar ou reclamar, é impossível esquecer-se da época em que os problemas sociais eram tratados como caso de polícia. Na verdade, em São Paulo ainda são tratados assim. Não há espaço para reclamação, apenas para o trabalho, mesmo que ele não exista, ou que seja insalubre, ou que se leve horas no transporte público para chegar até ele. Não reclame da qualidade da educação ou do roubo da merenda, apenas estude e vire mão-de-obra para ser explorada. O importante é produzir e gerar valor, de forma silenciosa, obediente, ordeira. É preciso de ordem para se ter progresso.

A cada entrevista dos ministros usurpadores percebe-se que o Brasil da República Velha está de volta. Na área econômica, arrocho pelo lucro dos banqueiros e financistas; na área social revisão dos programas e gastos; Na área da Justiça nada de mulheres, negros e direitos humanos. No Itamaraty um notório entreguista. Na educação, revisão de programas de inclusão, afinal o estudo é para os “filhos de doutor”. Na área da cultura…essa não existe mais. Novamente o café com leite, porém agora gourmet, de alguma rede de fast food.

Não devemos nunca se esquecer de chamá-los do que são: golpistas, usurpadores, retrógrados, elitistas, traidores da pátria e do povo, entreguistas. A vergonha deve ser estampada em seus rostos todos os dias. O cheiro de mofo de suas ideias deve ser revelado para que incomode cada vez mais gente.

Gustavo Macedo

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