
O Diabo
É o fim
É o começo
Tome controle
Viva de novo
Recomeço
Esvaziamento
Mas por que dói?
Por que não acaba?
E nunca para
Sempre vem
Com a mente a milhão
Pensamentos incessantes
Truísmos, falsidades
Banalidades
Esse rosto com manchas
E as mãos feridas
Todos os vícios
Todas as prisões
As revoluções e reinvenções
Não passam de mentiras
Continuam as mesmas
Nada muda
Nada liberta
Rancor
Ódio
Bile
Ressentimento
Inútil
A sujeira se acumula
O tapete é incapaz de esconder
Eles sabem
Eles sabem tanto quanto você
Essa torre há de desmoronar
Prenúncio do caos
O que é insanidade?
Repito o mesmo método
Processo
Acerto
Engano
Controlo
Manipulo
Não me importo
A falácia do bom moço
O paradigma da falsa desconstrução
O que é essa bondade pagã
Seguida de uma culpa cristã?
Adicção
O gozo, o roubo
Um toque falso e bobo
Um aperto, um beijo
Licito, ilícito
Dependente
Descontente
Descrente
Dominador
É incompleto
A mão que me afaga
É incompleto
O ser que me distrai
É incompleto
O saber e saber demais
É incompleto
O colocar-me no mundo
É incompleto
O amor que ofereci
É incompleto
O meu corpo, a minha carne, o meu sangue
É incompleto
O suicídio que escolhi
É incompleto
É lento
É doloroso
Bastam meias verdades, ditas em belas passagens
Para se enganar até o mais rigoroso deles
Mas você não conhece nada que seja belo
Você não sabe fingir
Só dissimular
Você não sabe rimar
Você é fraco
É o começo
É o fim
