Ensaio sobre introversão

Há muito que pode ser dito sobre pessoas introvertidas: poucas palavras, refugiadas em livros/séries/filmes, dificuldade com situações sociais e nada de apresentações em público. Posso dizer que tenho um pouco de cada uma dessas características, mas como um bom introvertido, tenho algumas peculiaridades.

O que me define é uma falsa timidez. A vergonha só se manifesta em situações novas, com pessoas alheias ao meu convívio social diário. Se eu for introduzido por uma pessoa conhecida, provavelmente conseguirei me virar. Estando entre amigos (no sentido mais íntimo da palavra), a introversão some e dá lugar a uma liberdade que leva até à extroversão.

Mas a timidez ainda é muito presente no dia a dia. Esperar o horário para chegar a um evento (e não precisar conversar com ninguém, pois as atividades se iniciarão em pouco tempo), encostar-se nos cantos e lados das paredes (evitando o centro), fobia de apresentar-se pra uma sala de desconhecidos, desistir de alguma coisa porque sabe-se que haverá muitas pessoas novas, fingir que está lendo, fingir que está escutando música, fingir que está atendendo o celular….. O cotidiano de um tímido não é dos mais fáceis. Temos algumas dificuldades que podem até parecer bobeiras, mas não são. E não adianta apenas dizer: “É só falar qualquer coisa” ou “você precisa parar de ser tão tímido”. Como já diria a música, acho que temos nosso próprio tempo.

Paciência é essencial quando se trata de introversão. Somos pessoas legais, só temos que nos sentir um pouco mais confortáveis para mostrar essa face. Também somos ótimos amigos, daqueles que guardam cada amizade no coração. O rosto rosado é um charme dos envergonhados. Mas lembre-se: nunca diga para uma pessoa tímida que ela está ficando vermelha – isso definitivamente não ajuda.