‘Trajetória’

Conheci bastante gente nesse mundo. Sempre busquei trocas distintas do usual, do superficial. Entendo que tenho uma qualidade notável que é a capacidade de escutar e conversar. Tenho sim, também, é claro, defeitos. Muitos até. Mas não vamos perder o rumo do raciocínio, ok? Beleza…

Uma das pessoas mais especiais que conheci foi com quem construi umas das estórias e trocas de energia mais intensas que já tive conhecimento. Era mágico, era lindo. Tenho o orgulho de ser seu amigo há mais de 15 anos, honro-me de ter sido seu namorado por 5 anos – um pouco mais do que ela queria, mas foi – noivo por um ano maravilhoso, cheio de boa energia e amor e esposo por pouco mais de 17 meses. Ela me ensinou muita coisa sobre a vida, sobre como curti-la. Aprendi direitinho. A ensinei e entreguei todo o amor que existe em mim e vivemos uma estória linda. O final… ah o final é sempre o mais difícil, mais dolorido, que mais machuca.

Recente, nos encontramos. Foi duro. Foi difícil mas, com a mesma intensidade, fundamental. Fui a um evento de uns grandes amigos em comum, que conheci através dela. Era inauguração de um novo empreendimento. Pela primeira vez não me preocupei se ela iria ou não. “Ah, deixa rolar. Falei com ela ontem e ela estava em Brasília, não deve ir…” pensei comigo. Cheguei com grandes amigos, confesso que estava com um friozinho diferente na barriga. Sabe aqueles que você sente quando poderá encontrar com uma pessoa especial pra você? Então, é disso. Ela não estava lá. Não sei se gostei ou não, mas ela não estava. Estavam sim pessoas muito queridas com as quais conversei, bebi, ri. Chega um amigo e fala: “Vamos ali? Tenho uma qualidade aqui comigo.” “Mas é claaaaaro!” Respondo. Fomos. Enquanto estávamos climatizando, na cozinha, próximo de onde estávamos, um amigo tem seu momento de desastrado máximo e derruba todas – tá bom, quase todas – as cervejas do evento.

Concluímos nossa tarefa, demos algumas boas risadas e iniciamos nosso retorno a socialização. Fui o último da fila de três pessoas. Tinha um corredor estreito do lado de fora da casa em Santa Teresa, de modo que não consegui ver nada a minha frente. Após concluir a passagem por esse corredor, devíamos virar nossa atenção à direita, aonde estavam todos conversando, dançando, sorrindo e se divertindo. Estava no auge do entretenimento do pensamento com a qualidade. Queria rir, zoar com grandes amigos que ali estavam, comer um Isha Burguer que é de uma amiga fantástica, parabenizar os amigos pelo feito, tomar uma das cervejas que restaram, enfim. Mas, quando termino o corredorzinho e viro minha atenção a direita, quem é a primeira pessoa que vejo? Retórica essa aqui…

Foi como um direto de direita no queixo, como tomar uma cesta de três pontos do meio da quadra e se dar conta que perdeu o jogo por um ponto de diferença ouvindo o som da buzina, dar aquela golada cheia de sede em um copo de água e se dar conta que era vodka, enfim, abalou um pouco. Conversamos brevemente enquanto transparecia um nervosismo que provavelmente mostrava-se como perceptível. Encerrei rapidamente e segui para o banheiro. Lá fiquei por uns 5 minutos conversando comigo me olhando no espelho. “E agora? Fico aqui, vou-me embora? Converso com ela? Deixo rolar? Aaaaaaahhh!” Saio ainda sem decidir o que fazer e totalmente sem jeito. Agora entendi porque as pessoas me cumprimentaram com certa estranheza, tipo: “quanto tempo… você por aqui?” Sabe aquela cara de caneca com sorriso meio torto? Isso aí. Saí e conversei com dois grandes amigos. São pessoas que acompanharam todos os bons e maus momentos de nossa relação. A primeira coisa que um deles fala me faz querer ficar. A segunda também. A primeira do outro amigo igualmente e… fiquei. Fiquei pra ver no que ia dar. Curti, dancei, comi, bebi, sorri e conversamos. No final da conversa estávamos os dois com os olhos pra lá de borrados e inchados… Lembra do direto de direita, cesta e da golada de vodka? Então, multiplica por 700 e foi o que senti quando ouvi umas das últimas coisas que me falou em nossa conversa. Saio desgovernado. Dificuldade de falar se instala pela frequência e profundidade dos soluços enquanto meus olhos voltam a virar uma fonte inacabável de agua. Se a Nestlé visse aquilo, receberia uma proposta na hora.

Maria Rita cantou: “Não há no mundo lei, que possa condenar, alguém que a um outro alguém deixou de amar.” Não há. Não é justo. Trata-se de uma das pessoas que mais amei nesse mundo e que não posso, não devo e não vou, carregar nenhum sentimento negativo. Muito pelo contrário, a quero muito bem. Tão bem quanto se fosse comigo. Quero que se encontre, que se ame, que ache alguém para acompanhar. Uma pessoa que a faça mais feliz que fiz, que a ame mais que amei. Que cuide dela de uma forma tão sensacional que não conseguiria reproduzir.

Vai, voa, conquista o mundo inteiro que você merece!

Se nunca mais amar ninguém na vida, terei toda a certeza do mundo que amei. Amei intensa e loucamente alguém. Que fui amado, que fui surpreendido, que surpreendi. Que fiz uma união com uma energia incrível, que foi tudo lindo, que todo mundo sentiu, se emocionou, se divertiu. Como o título é uma homenagem, nada melhor do que concluir com mais um trecho que exemplifica o momento: “E agora queira dar licença, que eu já vou. Deixa assim, por favor. Não ligue se acaso o meu pranto rolar, tudo bem. Me deseje só felicidade…” A recíproca é e sempre será tão verdadeira quanto tudo que vivemos.

Ah, e pangaré não né?! 🙏🏽🙏🏽