Hiato Entre Mito e Tecnologia 1/3

Maiara Izabele Del Pino
Nov 5 · 3 min read

O Tubarão Decomposto de Damien, as Silkscreens de Andy e os Fragmentos de Ossos de Felipe

Tubarão Decomposto

Procurei a localização da fábrica do artista plástico Damien Hirst para ir visitá-lo, esperava uma Silver Factory high tech. Seu trabalho “taxidermista” baseado em formaldeído, pode não ser a produção de arte mais ambientalmente amigável do mundo, mas o novo estúdio e galeria pessoal de Hirst na Inglaterra foi projetado por um pequena empresa eco-consciente e é um “Science Gallery & Studio and Science ”. Ciência e arte, galeria e estúdio, seu recanto é uma galeria altamente tecnológica que também expõe sua pesquisa.

M122/337 Cells of breast cancer, light_micrograph_SPL.jpg, Damien Hirst

A associação científica de Hirst, além de produzir sua própria fórmula de formaldeído e criar animais preservados na solução, produz uma série de pesquisas em outras áreas. De certo modo, é algo como uma Sylver Factory High Tec, pois Wahol escolheu construir uma fábrica que manteria ao seu redor sua inspiração, que fosse ao mesmo tempo seu espaço de trabalho e de socialização. Não sei se rola festinha como na Factory na Fábrica do Damien, o clima aparenta ser um pouco diferente. Nem é pela Tec, mas talvez pelo High.

Hist, assim como Andy, começou com desenho e pintura. Hoje, sua obra é vasta e abrange esculturas em bronze, unicórnios em formaldeído, instalações, telas monumentais compostas de insetos, anjos como modelos anatômicos, artefatos arqueológicos, farmácias e obras audiovisuais. As fotos em alta definição de células cancerígenas, M122/337 Cells of breast cancer, light_micrograph_SPL.jpg, de 2008 são uma parte do acervo da sua Fábrica. É científico, misteriosamente e belo, mas é arte? Algo sobre essa série me leva a série de Andy Warhol Death and Disasters de 1962. Cadeiras elétricas, suicídios e acidentes de carro. Hoje câncer está na categoria desastre. As imagens de câncer de Hirst são gigantescas fotografias que registram a mórbida beleza microscópica destas células cancerosas. É lindo, as cores são vibrantes e os nomes científicos longos códigos decifradores dos mistérios da anatomia humana. São abstratas e ao mesmo tempo, o que há de mais real, indubitável e literal. Podemos ter certeza que esse é realmente como essas células são?

Orange Car Crash Fourteen Times, Silkscreen ink, Andy Warhol, (1963)

Um dos tubarões preservado em formaldeído de Hirst, The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living, começou a apresentar, depois de 2 anos de história, sinais de decomposição.

“É um grande dilema. Artistas e conservadores têm opiniões diferentes sobre o que é importante: a obra original ou a intenção original. Eu venho de um fundo de arte conceitual, então eu acho que deveria ser a intenção. É a mesma peça.” Hirst disse sobre a reposição do tubarão em 2006 ao New Nork Times.

Certo dia em 1990, o bilhonário Charles Saatchi , decidiu financiar uma obra de Hirst para se tonar peça central de sua coleção de arte contemporânea. É sabido que dos £50,000,00 fornecidos para a obra, £6,000 foram o custo do primeiro tubarão. A obra seguiu seu destino até ser vendida (por valor sigiloso, acredita-se entre $8 milhões — or $12 milhões) para Mr. Steven A. Cohen, outro bilhonário, e posteriormente pelo Gagosian Gallery em 2004. Mas quem ficou com o tubarão antigo? O que diferencia o tubarão descartado do novo? Primeiro que eles terminaram de estragar o antigo e mandaram caçar um novo especialmente para a obra. O novo espécime veio da Australia e foi pescado por demanda e teve as despesas da empreitada cobertas por Cohen. Chega de bilhonários, vamos agora procurar um filósofo, Arthur Danto, que sobre a diferença entre duas coisas aparentemente idênticas, uma sendo arte e a outra não, tem muito a dizer. Talvez a diferença entre o tubarão substituído e o exposto decomposto seja a mesma entre a Brillo Box de Warhol e uma mera caixa de Brillo real. E qual é a diferença entre uma Brillo Box real e uma Brillo Box do Andy Warhol então?

The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living, Damien Hirst, (1991), Glass, painted steel, silicone, monofilament, shark and formaldehyde solution. Picture by Doug Kanter

Maiara Izabele Del Pino

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collector, cyborg, internet digger.

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