Christopher e a chama Violeta.

Espindola
Espindola
Sep 3, 2018 · 7 min read

Meu nome é Christopher, sou um garoto excêntrico, eu transito por vários universos e vivencio diferentes experiências nesse e em outros mundos. Às vezes vou dormir e acordo em outro universo, não existem muitas regras para esses eventos, mas vou te contar algumas aventuras minhas.

Existe um lugar no universo onde nasce uma imensa constelação de estrelas que brilham na cor violeta e a minha missão era chegar até lá. As estrelas violetas contém a essência milagrosa que cura as crianças de uma grande tristeza e falta de apetite, trazendo de volta a alegria para a vida delas, porém, só conseguimos atravessar o portal para a constelação violeta voando com um cavalo alado e para isso eu iria viajar até a constelação de Pégaso para encontrar um cavalo alado que me acompanharia nessa missão.

Chegando na constelação de Pégaso fui bem recepcionado por um cavalo muito simpático que ficava na entrada, mas ele foi logo dizendo que não haviam muitos cavalos disponíveis, todos estavam em missões nos diversos cantos do universo que é infinito, então já viu…

- Você vai ter que encontrar um cavalo que esteja na mesma sintonia para a missão ser concluída com sucesso, sem isso, não conseguirá atravessar o portal. Disse ele seriamente.

- Tudo bem! Respondi enquanto colocava um crachá de visitante.

Andei por toda a constelação à procura do cavalo certo, enquanto observava como eram as coisas por ali, tinha feno de todos os sabores, ferraduras de ouro, coloridas, campeonatos de equitação sem gravidade, era mesmo muito interessante, mas já anoitecia e eu não havia encontrado um cavalo para minha missão, cansado, encostado num tronco de uma árvore, adormeci.

Na manhã seguinte fui acordado por um barulho imenso nos galhos, um jovenzinho cavalo alado que estava aprendendo a voar havia trombado nos galhos daquela árvore e num grande susto ao ver um ser diferente dormindo ali, gritou:

- Oh Meu Deus! Onde fui parar?!

- Calma, calma, eu sou visitante, sou ser humano. Tentei acalmá-lo.

- É a primeira vez que vejo um ser humano de perto, humanos não tem asas? Como fazem? Perguntou espantado.

- Ah, inventaram o avião e a asa delta… Respondi meio tímido, afinal, nunca havia parado para pensar nessa questão.

- Meu nome é Luby! Muito prazer em conhecê-lo.

- Meu nome é Christopher, o prazer é meu. Respondi simpaticamente.

Após explicar ao Luby todo o motivo pelo qual eu estava ali, ele prontamente se propôs a me ajudar a encontrar um cavalo alado para minha missão e juntos, continuamos a seguir nessa procura.

No caminho Luby treinava o uso das asas, ele era novo, estava aprendendo, tinha grande força de vontade, mas era muito distraído, causava as maiores trapalhadas ao se distrair com as ferraduras nas vitrines, olhando as maçãs vermelhas ou até mesmo o placar das corridas, seu sonho era ser um atleta da categoria gravidade zero, onde o desafio era maior. Por não voar direito, os cavalos da mesma idade tiravam uma onda imensa dele, não voavam com ele, o excluindo, e ele passava a maior parte do tempo sozinho.

Já era tarde quando paramos para descansar e comer alguma coisa, ambos estavam famintos, mas Luby não parecia animado e eu perguntei a ele o que havia:

- Todos os aladinos voam e tem suas missões e eu nunca fui chamado para uma. Disse ele entristecido.

- E se nós treinarmos juntos enquanto procuramos? Meu crachá de visitante dura um mês, dá tempo de fazer as duas coisas. Eu sugeri.

- Tudo bem. Respondeu ele mais animadinho, colocando um bocado de feno na minha bolsa.

Procuramos um campo aberto perto do chalé para humanos e começamos a treinar. Luby sabia voar naturalmente, mas por algum motivo se distraia e caia então claramente era uma questão de foco.

- Luby a primeira lição será em terra! Quero que feche seus olhos e sinta suas asas. Iniciei.

Prontamente Luby se colocou em posição, fechou os olhos e sentiu suas asas e eu prossegui.

- Sinta que ela faz parte de você, sinta o poder que ela tem e que voar faz parte da natureza dela, você apenas tem que deixar fluir.

Naturalmente ele abriu as asas e flutuou pelo campo, Luby sentiu que suas asas eram leves e pela primeira vez confiou nelas inteiramente.

- Uau! Como você sabia disso? Indagou.

- Dessas coisas eu entendo. Respondi. — Agora, quero que me diga do que tem medo que aconteça quando estiver voando? O que te distraí lá em cima?

- Tenho medo dos outros cavalos tirarem sarro de mim, por isso tento não chamar atenção enquanto estou voando e às vezes me comparo com eles e acabo me sentindo inferior, o que me faz cair… Disse Luby.

- Segunda lição, Luby, será confiar em si mesmo! Feche os olhos e diga para si mesmo: “Eu tenho as melhores asas do universo”!

Todos aprenderam a voar confiando nas suas próprias asas, cada um é diferente do outro e todos possuem algo especial, quando você ver um cavalo mais experiente, se inspire e aprenda algo novo com ele, assim irá melhorar cada vez mais, mas sempre confie em si mesmo, pois existe um jeito somente seu de conquistar as coisas e voar da sua maneira.

- Terceira lição! Feche os olhos e se imagine voando do seu jeito, imagine que você é o campeão da categoria ‘Gravidade zero’, campeão ‘Aladinos de Ouro’, pense positivo e seja perseverante!

- Mas e se eu não conseguir? Indagou o cavalo.

- Por isso você deve perseverar e aprender com a lição, sempre aprendemos algo, no fundo só existem vitórias. Complementei com sabedoria. Agora vamos à prática!

Luby seguiu para o campo, respirou fundo, fechou os olhos e pensou lá dentro: ”Dessa vez vai”! E foi! Voou o mais alto que ele pode, deu piruetas, dominava as asas de maneira confiante, seus olhos brilhavam de tamanha alegria, desceu, saltitava de alegria e me abraçou empolgado dizendo obrigado.

Ao ver isso, o cavalo alado que havia me recepcionado na entrada se aproximou de mim e disse:

- Vejo que já encontrou seu companheiro de viagem, ele precisava mesmo de uma missão especial.

- Oh Meu Deus! Vou ter que treinar mais do que imaginei, eu sou inexperiente e ele também, como vamos conseguir atravessar o portal da chama violeta? Exaltei.

- Ué, faça o que ensinou à ele, confie em vocês, treinem e persevere, disse o Cavalo alado mais experiente, dando uma piscadinha pra mim.

Luby! Luby! Desce já! Você é o Cavalo da minha missão! Gritei.

Luby assustado perdeu o foco e caiu novamente entre os arbustos… Corri até lá para ajuda-lo e passamos a tarde toda estarrecidos pensando em como conseguiríamos alcançar nosso objetivo.

Na manhã seguinte seguimos ao centro de treinamento, tínhamos a mesma sintonia e uma missão a cumprir. Chegando lá alguns cavalos olharam e disseram entre eles que nunca conseguiríamos, Luby me olhou desanimado, mas seguimos em frente. Treinamos durante o dia todo, alongamos, meditamos, Luby voou perfeitamente, repetimos no segundo dia e já no terceiro dia montei pela primeira vez no Luby.

- Aconteça o que for, se segure em mim e não solte, eu tenho asas e você não. Disse Luby tentando me tranquilizar. Na hora eu gelei.

Acostumamos a voar juntos, um incentivava o outro, éramos amigos de verdade e tínhamos uma missão. Voamos durante a noite, treinamos os obstáculos, treinamos na área sem gravidade, treinamos velocidade e muitos saltos para conseguir passar pelo portal da chama violeta.

Surpresos com o avanço, conforme o tempo passava, os outros cavalos começaram a respeitar Luby, alguns paravam para ver os feitos inéditos que ele fazia nos ares daquela constelação.

- Bom trabalho, a sintonia de vocês é ótima. Já estão mais que prontos para a missão. Disse o cavalo alado superior, trocando meu crachá de visitante para membro honorário.

- Muito Obrigado! Agradeci a ele.

Luby e eu descansamos o resto do dia, logo mais ao anoitecer seguiríamos rumo a nossa missão para a constelação da chama violeta, seguiríamos pela Delphinus, Áquila e atravessaríamos o portal logo em seguida. Quando chegou o horário de partir o Cavalo Alado superior veio se despedir e desejar boa sorte, mas para a nossa surpresa os outros cavalos também vieram nos desejar boa sorte, agradecemos, nos despedimos e voamos seguindo a nossa rota.

Voamos durante vários dias, paramos para descansar na constelação de Àquila onde Alschain nos recebeu e iria nos acompanhar até o portal mágico antes de chegar na constelação do Escudo. As Águias que lá viviam possuíam enormes asas brilhantes e majestosas, ficamos encantados e motivados a seguir nossa missão, pois na opinião delas nossa missão tinha um bom propósito, ajudar as crianças.

Chegou a grande hora, estávamos no ponto certo do universo apenas esperando o portal se abrir, no meio do nada, num vácuo azulado e de repente um grande circulo violeta começa a se abrir e algumas fadas curiosas olhavam para fora acenando para Alschain, o Falcão que nos acompanhava, num salto imenso eu e Luby entramos naquele universo mágico, onde tudo era Violeta, encantados fomos conduzidos pelas fadas até o mestre que habitava num castelo e que já possuía o pote com a poção separada, ele já sabia do que se tratava e estava apenas esperando pelos mensageiros que buscariam a solução, nos cumprimentou e nos ofereceu um chá violeta, que além de delicioso, era mágico, purificava e fortalecia todo nosso corpo.

- Que bom que vieram no prazo, muitas crianças serão salvas com esse antidoto, é uma honra poder ajudar o universo dos humanos. Disse o Mestre Germain.

- Nós que somos gratos, mestre, digo isso em nome de todos! Gentilmente agradeci.

Guardei o pote na minha mochila, nos despedimos e voltamos para a constelação de Pegasu, passamos novamente pelo portal, e até Áquila, fomos na companhia de Alschain, nos despedimos dele e seguimos vitoriosos até nosso destino, fomos recepcionados por vários Cavalos Alados que vibravam com a conquista do Luby, agora ele era mais um Aladino célebre. Confesso que me despedir de Luby naquele momento foi a coisa mais difícil de fazer, talvez a mais difícil de toda a missão, mas eu precisava voltar logo para terra e trazer o antidoto para as crianças.

- Como membro honorário você pode voltar quando quiser e todas as missões faremos juntos! Disse Luby.

- Eu volto assim que puder, afinal de contas entre uma missão e outra temos os divertimento. Respondi.

Todas as crianças que estavam ‘dodói’ tomaram o antidoto e voltaram a se alimentar corretamente e ficaram alegres, recuperando toda força e a alegria de viver, voltaram para escola e hoje vivem felizes e saudáveis.

Até a próxima aventura do Christopher! Bye bye!

Espindola

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