Christopher e o Amuleto
Meu nome é Christopher, sou um garoto excêntrico, eu transito por vários universos e vivencio diferentes experiências nesse e em outros mundos. Às vezes vou dormir e acordo em outro universo, não existem muitas regras para esses eventos, mas vou te contar algumas aventuras minhas.
Hoje eu acordei numa região do campo, numa vila chamada Vila dos Solaris, são daqui que saem os melhores e mais belos girassóis do mundo, acordei debaixo de uma macieira e meu destino era descobrir o tesouro que o sábio Gilson cultivava no porão de sua casa de campo. Logo ao acordar segui ao meu destino.
Após uma boa caminhada que durou a manhã inteira, cheguei até o meu destino, era uma casa de campo muito simpática, rica em plantas, árvores e flores. Notei que o portão estava aberto, no jardim as borboletas voavam dentre as flores que levemente balançavam com o vento suave que o dia ensolarado propiciava. O silêncio da vida no campo era compatível com a certeza de que não havia mais ninguém ali, eu caminhei até a porta, a chave estava debaixo de um vaso com pequenos brotos ao lado de uma roseira grande com muitos botões e rosas abertas, cujo aroma era forte e agradável. Peguei a chave e entrei na casa, a sensação de paz e aconchego logo me invadiu. Respirei fundo, me espreguicei e continuei mais tranquilo. Logo à frente, um bilhete na mesa dizia: “ — Fique à vontade, volto ao anoitecer.”
Coloquei minha mochila num banquinho e fui até a cozinha para beber água, fui recepcionado por um gatinho que graciosamente veio se esfregar nas minhas pernas fazendo aquele charme que os gatos fazem, voltei para a sala e observei a grande quantidade de livros que havia naquele lugar, curiosamente olhei um por um, a literatura era boa e leve, o conteúdo era agradável e puxei um livro aleatoriamente da prateleira e abri numa página qualquer para ver o que a mensagem dizia, mas a única coisa que a havia escrito no livro era:
“IARCU DORMANI ZU BANDALA NIT CHERCO VIGANDIS ORMANI DOMUELA. I CHOM FARCUNDIS DI MOBAILO DIZO, MI PARGO ORZITUM ZOULA NITO. TARZEM U MONAI DIZO KOL BARSHUM.”
Provavelmente outro idioma, mas o restante do livro continham apenas páginas em branco, coloquei-o de volta na prateleira e por curiosidade peguei outro, pois dentre tantos, será que todos tinham o mesmo conteúdo? No entanto o outro livro, de culinária, era completo e recheado de receitas, coloquei-o de volta e sentei no sofá para descansar um pouco e reabastecer as energias na companhia do gato.
Descansei e fui surpreendido por Gilson com o barulho que sua motocicleta fazia ao chegar já ao anoitecer, o cantar dos grilos e cigarras até diminuíram com o barulho da lambretinha e o gato pulou imediatamente e se posicionou em frente à porta para ver a chegada do seu dono.
Gilson entrou e me cumprimentou, disse então que havia ido a peixaria e por isso demorara a tarde toda, estava animado, pois havia encontrado um Peixe Grande e fomos até a cozinha para passar um café e colocar a conversa em dia. Gilson era um Sábio engenheiro dimensional e conhecia muito sobre a engenharia cósmica do universo, sempre que eu necessitava de algo, recorria aos seus ensinamentos.
- Vou passar um café e temperar o nosso jantar, teremos peixe assado e após o jantar desceremos ao porão para eu mostrar a minha nova invenção. Disse Gilson.
- Ótimo, eu ajudo a preparar o jantar. Respondi
Ele havia se programado, pois sabia que eu poderia dormir e acordar em outro lugar, portanto não hesitou em esquematizar tudo para aquela noite e para que corresse tudo bem.
Após o jantar, continuamos os afazeres na companhia do gato zangolbireve que tinha esse nome, pois espantava as energias nocivas do local, zangolbireve era o Gato Guardião da casa, dei graças a Deus por ele ter gostado de mim desde que nos conhecemos.
Mais tranquilos e satisfeitos, descemos calmamente ao porão, degrau por degrau, cuidadosamente com uma lanterna até o final da escada quando ascendi a luz, eu já havia ido lá algumas vezes e estava mais claro que o habitual, mesmo assim mantive prudência pois sabia que lá sempre tinha coisas preciosas, mas daquela vez tive uma grande surpresa, havia uma bola de energia que brilhava muito e estava coberta com um pano escuro, Gilson então colocou um óculos escuros e deu o outro óculos escuro e disse que a olho nu, o brilho era tão forte que não enxergaríamos mais nada somente a luz que aquela bola emitia. Ele me contou então, que aquela era bola que havia caído ou aparecido no quintal dele, provavelmente enviada por alguma estrela para auxiliar os viajantes das estrelas, do tempo e dos multiversos. Não era necessário instrumentos para quebrar a bola em tamanhos menores, somente com um pensamento a bola fornecia uma parte dela para que o viajante levasse sua parte, era uma pedra de gelatina mágica, o contato com ela nos deixava mais forte, inteligente e mais jovem, além do aroma forte de jasmim que exalava. O mistério é que Gilson não sabia de onde ela tinha vindo, podia ser de Vênus, do Sol, alguma supernova generosa e arteira, mas era coisa boa, isso dava pra sentir, pois em contato com ela sentíamos uma paz imensa.
Ele colocou dois pedaços na minha mão e disse:
- Um é para você carregar sempre, onde quer que você for, ela te dará um poder muito grande, saiba usá-lo a outra parte guarde no seu porão, junto com suas outras preciosidades, todos os pedaços estão quanticamente interligados.
Subimos de volta para a parte superior da casa enquanto ele me explicava o restante das informações, era no porão dele que ele criava os mantras, estudava alquimia e escrevia as receitas que ele mesmo criava. Ele disse que chamava de amuleto da sorte, pois não existia mais nenhum nome que combinasse com aquilo, eu já pensei em chamar de estrela.
A hora passou, nos despedimos e fomos dormir, Gilson subiu para o seu quarto e eu dormi no sofá, quando acordei estava em outro lugar, mas isso conto na próxima história.
Até a próxima!

