O Brasileiro Cuzão Médio
Carolina Garofani
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Gostaria de dizer que muito me agrada a sua analogia, mas gostaria também de comentar uma descrição, onde achei que poderia trazer um ponto de vista que talvez seja pertinente.

“ Isso mora em nós, faz parte de nós. Ninguém é altruísta, em nenhum lugar do mundo. “

Educadamente gostaria de descordar e dizer que acredito que nós humanos, independente de nossa nacionalidade somos propensos a agir como o meio em que fomos criados e responder a estímulos que por ele nos é proporcionados, e sim acredito em uma melhora de qualidade de vida que a cada dia que eu, você, nossos amigos e familiares estiverem mais dispostos a ser mais gentis, educados, simples até mesmo nos gestos mais simples como bem dito por você mesma, limpar o que usamos pois não estamos sozinhos, não deixar bagunçado um setor onde outro colaborador irá usar para trabalhar, ou até mesmo conversar ao celular enquanto esperamos o farol abrir. E dizer que devemos ser e fazer isso até mesmo com aqueles que são hostis a tal mostra de civilidade.

Gostaria de relatar algo que aconteceu comigo recentemente. A pouco mais de um ano, mudei de empresa e ramo de atuação, na atual empresa onde trabalho é um escritório, coisa que para mim é novo pois trabalhava no ramo de aviação, e aparentemente as pessoas que ali trabalham pareciam ser bem educadas e distintas, pois bem, ao poucos vamos nos adaptando e conseguindo com mais nitidez observar a cuzise dos nossos colegas de trabalho (de forma alguma estou me isentando de qualquer cuzise cometida por mim), gostaria de chamar a atenção a um dos procedimentos da empresa, mais precisamente na área de atuação da equipe de limpeza e organização do nosso setor, uma colaboradora todos os dias, meia hora antes de se encerrar o expediente, ela passa recolhendo os resíduos produzidos por nós, de mesa em mesa, ela passa efetuando a coleta. Pois bem, até então nada de novo, mas ao observar percebi que não poucos se inclinavam a ajudar mas sim colaborador nenhum, seja afastando a própria cadeira para liberar espaço, em auxiliar no recolhimento do material produzido por si próprio, tão pouco agradecer pelo serviço e colaboração que aquela pessoa vinha nos prestar. “Desde que eu me entendo por gente”, como já bem dito era pela minha avó, fui criado com a inclinação a ser ativo, mesmo sendo extremamente preguiçoso, a respeitar, ser gentil e educado independente com quem fosse, sendo educado ou ríspido comigo, seja na prestação de serviços ou na tomada do mesmo, pois fui ensinado que respeito cabe em qualquer lugar, mesmo sendo uma pessoa mais introvertida e calada. Logo percebi que eu tomava uma atitude diferente, toda vez que essa colaboradora passa em minha mesa, eu me afasto, me inclino recolho o meu sexto de lixo do qual somente eu produzo e despejo no saco de coleta que ela nos traz, e após isso agradeço, e sempre ouço da parte dela, “eu que agradeço”. Ao longo de meses fazendo isso, percebi que infelizmente ninguém de inclinou a auxiliar a recolher o próprio lixo, entretanto, notei que as pessoas ao meu redor começaram a se afastar da mesa e agradecer pela coleta feita pela colaboradora. O que eu quero dizer com isso ? Eu defendo que se quisermos melhorar em algo devemos começar por nós mesmos, e sim, devemos acreditar nos seres humanos e sermos menos pragmáticos em relação a esse tipo de atitude humana.

Para melhor fundamentar o que estou querendo dizer, gostaria de deixar aqui uma indicação de um documentário, facilmente encontrada na plataforma de streaming mais utilizadas pelos brasileiros na atualidade, The altruísm revolution, onde se é estudado o comportamento humano em relação ao altruísmo e egoísmo. Com teste com crianças em um ambiente controlado, por mais bizarro que isso possa parecer como foi dito por quem indicou esse documentário, esse pequenos nos mostram que não é mais natural o egoísmo do que o altruísmo em nossa excencia humana. Deixando claro que a nossa exposição em meio a situações adversas criadas por uma sociedade nos deixa propensos a ser mais cuzão. Concluo assim minha observação.

Muito obrigado pelo espaço.