Cinzas dolentes

Coletado do blog da artista , Recolore.

Ao meu lado há uma mulher
Que adoeci.

Ela dorme.
Como fosse próximo, uma festa berra. Parece dentro do quarto.
Não possuo cigarros nem bebidas.
Poderia ser um gole de cachaça.
Graça. Desgraça. O álcool sempre canta.
Mas eu não. Há uma mulher doente ao meu lado.

Estou cada vez mais tóxico. Adoeci e faço adoecer.
O desejo, ah, ele bate nas paredes do quarto e se esbarra em mim.
Sem estar ébrio, furtado do efeito estético do fumo.

Eu, a festa que não habito,
a mulher doente;
e as mulheres viventes em mim suspiram, deleitam-se, sem mim.

Contudo, não morrerei.
Pois pretendo foder em breve e os poemas são formas de morrer,
permanecendo vivo o escritor.


Gostou? Coraçãonize, compartilhe, siga a tag HermesVeras, sobreviva. Poesia, para mim, é religião, filosofia e vida. Espero que para vocês também.