Amor, (II)

Que fizeram de ti?
Te transformaram em algo inalcançável
Cheio de pré-requisitos
Palavras, canções e passeios
Hollywood te fez possível
Somente em boulevares
De mãos dadas e sorrisos cúmplices
No pôr do sol em cenários
De tirar o fôlego

Acontece que te sinto sem nada disso
Te sinto no agora sem promessas de futuro

Te sinto na pele, no toque
Dos corpos que se identificam
Sem que a mente os reconheça
Amo com a pele, com os dedos e com todo o corpo

Te sinto no encontro das línguas
Nas salivas quentes que falam qualquer idioma
Sem pudor, sem vergonha, sem receios 
Amo os gostos que sinto pelos corpos

Te sinto quando vejo minha natureza em outros olhos
Na meia luz ou na escuridão
Seguindo o brilho do olhar como um inseto voa para a luz
Amo a visão dessa pessoa que nunca vi

Te sinto no perfume dos cabelos
Nas mechas que se espalham pelo travesseiro
Sem cerimônia faço universo dessa cama
Amo os cheiros que exalam quando os corpos se entregam

Te sinto nas conversas vazias
Nos sorrisos que se alargam entre uma bobagem e outra
Sem julgamentos de verdade ou mentira
Amo os cantos e gemidos dessas sereias

Amo tanto que não sei dizer se prefiro
Um amor pra vida toda
Ou uma vida toda cheia de amores