I- My baby just cares for me

Parecia que o mundo todo estava segurando a respiração. Essa era uma evidente bobagem, o que estava prestes a acontecer não afetaria mais do que meia duzia de pessoas. Meia duzia de pessoas, uma pequena poeira de humanidade quando comparada à absurda marca de sete bilhões de pessoas no mundo. Estes sete bilhões não significavam nada para Alice, as únicas que importam estavam ali. Chegou a hora.

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Era o dia mais comum do mundo. O café cotidiano, o leve atraso habitual e os mesmos “bons dias” obrigados pela civilidade urbana aos mesmos vizinhos. A monotonia pós-engarrafamento só foi quebrada na aula de História da Arte pela mensagem de Luiz: o jantar está confirmado.

Luiz havia sido o primeiro amigo de Alice no Rio de Janeiro. Vinda do Sul de Goias, a capital carioca parecia assustadora. O turbilhão entre mudança, primeiro dia de aulas e insistência das novas colegas do curso de arquitetura para que todas fossem à festa de recepção da UFRJ só pareceu acalmar com o primeiro sorriso daquele menino de engenharia, um sorriso que durante todo este último ano foi o porto-seguro dela. Esta era a noite que ela conheceria os pais do namorado. Esta seria a noite.

continua.