A Dor no Campo de Auschwitz

Escrito por: Pedro Henrique

“Isso é uma dedicatória para a família de qualquer um que sofreu ou teve sua vida tirada na segunda guerra mundial, um dos maiores eventos genocidas da história da humanidade, nós nunca esqueceremos.”

Antes de tudo, eu pensei que essa seria uma oportunidade boa para recomeçar minha vida em um local onde nós não seríamos saqueados pela polícia ou seríamos machucados pela tirania daqueles que estavam lá para nos proteger, porém eu estava enganado, nunca foi para nos proteger, aquilo foi criado para tirar nossa liberdade e nossa condição como ser humano, fomos tratados como baratas, pisaram em nós e tiraram nossa família, mataram todos que nós conhecíamos e apagaram nossas memórias como cinzas.

O trem estava silencioso naquela tarde, o sol estava fraco e sua luz não era revigorante, mas sim melancólica, as pessoas estavam animadas pois achavam que teriam melhores condições de vida, minhas filhas estavam contentes pois sonhavam com um lugar onde não seriam segregadas por uma política nojenta e imunda, e minha esposa estava desconfiada de tudo aquilo, porém era notável que estava feliz pelo sorriso no rosto de nossas filhas.

Eu costumava trabalhar de trem todos os dias antes de tudo acontecer, e eu nunca tinha notado o quanto os trem eram silenciosos e monótonos, a única coisa que quebrava o silêncio era a felicidade das pessoas e a desconfiança de outras.

Ao pouco percebi que a velocidade foi parando e que as pessoas foram ficando mais ansiosas para o que estavam aguardando a tanto tempo, e assim aconteceu até que o trem ficou parado e as portas se abriram e o campo cinza nos foi mostrado.

Auschwitz, era esse o nome do local para onde fomos transportados, e não parecia nada com o que pensamos que era.

Fomos levados até lá com a promessa de uma nova vida, onde poderíamos viver contentes em um lugar que não seriamos tratados como pestes podres que só traziam a desgraça.

O letreiro da entrada dizia que o trabalho nos libertaria daquilo mas foi extremamente ao contrário, fomos presos naquele lugar, eles criaram uma prisão para ficarmos e sermos escravizados.

Minhas filhas, vendo aquela situação, se esconderam atrás de mim e começaram a chorar, e eu não tiro a razão das pobres crianças, até eu derramei uma lágrima naquele instante em que entrei no verdadeiro campo de Auschwitz.

Pessoas machucadas e doentes, mais magras do que tudo que já vi na terra, crianças mortas ou então amputadas, pertences jogados em cantos, até porque as pessoas não precisavam de coisas caras ali, precisavam de alimentos e água, coisas básicas para qualquer pessoa sobreviver, porém até isso foi negado pelos genocidas.

Uma cena me despertou atenção diante daquela cena deplorável: uma criança pequena, com o corpo bem sujo, manchas negras por todo o corpo, em torno de 3 anos, foi pedir um pedaço de pão para um soldado nazista, que sem hesitar, lhe deu um chute na cabeça que lhe provocou um enorme grito que nunca saiu da minha mente, aquela cena me marcou para todo o resto de meu tempo, o sangue escorrendo daquela pobre criança e o nazista rindo daquela situação.

Eu e minha família fomos colocados em fileiras, junto com algumas outras famílias, e por lá foi colocado nossas tarefas que teríamos que fazer.

Todas as famílias receberam tarefas a se fazer como limpar latrinas, ajudar no abastecimento de fornalhas e fogueiras e outras tarefas braçais.

As filas foram se acabando e a minha acabou sendo a última, porém o destino cruel me destruiu e quebrou meus alicerces básicos quando o soldado me disse:

-”Nós não temos mais coisas pra vocês fazerem aqui, vocês são inúteis.”
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