Renda fixa… mas não tão fixa
Este texto é o segundo de uma série de textos que escrevi com base em meus estudos contínuos sobre investimentos. São direcionados a pessoas, como eu, iniciantes no assunto.
O primeiro texto é este: https://medium.com/@HugoSetta/infla%C3%A7%C3%A3o-e-poupan%C3%A7a-c231dcd39063
Vamos falar de renda fixa.
Ok, antes vimos como a poupança pode dar uma ilusão de ganho quando na verdade estamos perdendo. Ela tem como vantagem a liquidez. Mas então, se a poupança não é a melhor opção, pra onde deve ir meu dinheiro?
Normalmente quando pensamos no nosso dinheiro não queremos correr riscos. Ninguém gosta de fazer uma aposta e perder, certo? Bom, existem investimentos que pagam melhor que a poupança, mas que tem riscos muito baixos, como ela. O “risco” num investimento não é de perder tudo, mas de perder uma parte, ter rentabilidade negativa.
Ganhar dinheiro emprestando
De certa forma, quase todos os investimentos de renda fixa são na verdade empréstimos. Você empresta dinheiro a um banco ou empresa e recebe algo a mais depois de um tempo. Simples. O importante aqui é observar todas as regras e taxas. Ah sim, não estamos mais falando da poupança, e com exceção dela, tudo, tudo, tem taxas, muitas e muitas taxas. Isso é chato, por que você vai ter que ficar pesquisando cada taxa e colocando numa planílha. Não tem jeito. Se houvesse um investimento muito melhor que os demais, estava todo mundo nele.
Antes de falar um pouco sobre os investimentos de renda fixa que conheço, quero deixar claro uma coisa: Renda fixa quer dizer que existe uma regra para a remuneração de um investimento. Não necessariamente essa rentabilidade é fixa, ok? A regra é fixa, não a renda. Você vai entender melhor abaixo.
Debêntures, LCI, LCA, CDB e RDB, Títulos do Tesouro, Fundos de Renda Fixa
Não se assuste com os nomes. Basicamente todos esses termos são a mesma coisa. Você empresta e depois recebe. Um pouqinho sobre cada um deles:
Debêntures: você esta emprestando dinheiro para uma empresa (depois faço um paralelo entre debêntures e ações).
LCI: você esta emprestando a um banco que vai reemprestar para crédito imobiliário (pessoas que querem comprar suas casas). Não paga imposto de renda.
LCA: você empresta a um banco que vai reemprestar para Crédito de Agronegócio. Não paga imposto de renda também.
CDB e RDB: Você empresta dinheiro a um banco. Esses dois são ajustados pagando parte do CDI. O CDI é uma taxa de juros que os bancos usam para emprestimos entre si. O CDB e o RDB pagam sempre um percentual do CDI, tipo 85% até mais de 100%, dependendo do banco (e do risco).
Títulos do Tesouro: Você emprestando dinheiro pro governo.
Fundos de Renda Fixa: são fundos que os bancos criam, que aplicam em uma ou mais modalidades de investimentos dessa lista ai de cima, e aqui você compra cotas dos fundos.
Nossa, quanta coisa. Estou perdido!
Bom, eu também fiquei muito perdido, e confesso que ainda viajo um pouco em alguns destes investimentos. Nunca experimentei ou estudei a fundo todos esses investimentos ai. Mas vou tentar esmiuçar o que se deve observar neles.
Vamos voltar pro nosso exemplo das bolinhas de gude, lembra? Você tem R$ 100 por mês e quer comprar 1.200 bolinhas no final do ano; e a inflação é de 8% a.a. (ao ano). Como analisar estes investimentos de renda fixa para chegar no nosso objetivo?
Bom, diferente da poupança, os investimentos de renda fixa, em sua maioria não têm a liquidez dela. Ou seja, você não vai poder sacar o dinheiro dali a qualquer momento. Na maioria das vezes até pode, mas ai, vai pagar uma taxa.
Um exemplo de fundo de renda fixa real
Por falar em taxa; todos esses investimentos tem taxa de administração. E a maioria tem imposto de renda. Como isso funciona? Vamos pegar um exemplo real. Existe um fundo chamado Fundo de Renda Fixa Mércurio, no Bradesco. Já tive cotas dele durante anos. Ele tem taxa de administração de 2,5% e a rentabilidade dele nos últimos 12 meses foi de 8,9%. Ei olha aí, legal, ele ganha da inflação. Calma lá que ele é um fundo bem… hum… fraco.
Uma coisa boa é que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que é quem dita as regras do mundo dos investimentos no Brasil, obriga que as taxas de rentabilidade de fundos exibidas pelos bancos seja mostrada em seu valor líquido, ou seja, já descontada a taxa de administraçao e o imposto de renda. Ou seja, essa taxa ai de 8,9% é líquida. Ótimo, fica mais fácil analisar os fundos assim.
Mas calma que não é bem assim. Principalmente pro Imposto de Renda. Ele é calculado sobre o seu lucro. Então vamos ver quanto esse fundo paga por mês e calcular em cima disso as taxas: 8,9% ao ano é o mesmo que 0,71% ao mês. Já a taxa de administração é calculada sobre o total no fundo, cobrada periodicamente.
Eu uso esta calculadora pra fazer essas conversões (de taxa anual para mensal e vice-versa): http://fazaconta.com/taxa-mensal-vs-anual.htm
Afinal, 12% ao ano não é o mesmo que 1% ao mês.
Ok, então temos 0,71% ao mês. Se coloco meus R$ 100,00 no inicio do mês, no ínicio do próximo terei: R$ 100,71 (que merreca né?). A taxa de admin e o IR são anuais também, mas eles vão incindir nestes centavos ai. Normalmente os fundos têm uma data semestral pra cobrança dessas taxas, tipo todo dia primeiro de agosto e fevereiro. É uma coisa arbitrária mesmo. O banco mesmo vai lá no dinheiro do fundo e já retira o valor das taxas, tanto a dele quanto o IR.
A taxa de administração é isso ai, X% sobre o valor no fundo e fim de papo. Ponto final. Já o IR depende. Preste atenção que esta regra funciona pra quase todos os investimentos. É a “tabela regressiva do IR”. Funciona assim, quando você deixa um dinheiro parado por até 6 meses, o IR é de 22% sobre o lucro. De 6 meses a 1 ano cai pra 20%, de 1 ano a 1 ano e meio cai pra 17% e com dois anos ou mais cai pra 15%. Ou seja, no seu fundo, quando chegarem as datas de cobrança das taxas, as primeiras vezes elas comem uma parte maior do seu lucro. Essa diferença, os bancos não colocam nos seus prospectos. Normalmente informam que o fundo tem seus 8,9% de retabilidade ao ano contando com um IR de 15%. Por isso nos dois primeiros anos espere sempre um desempenho pior que o anunciando.
Mas espere que a sacanagem ainda não acabou. Os 8,9% anunciados não é a rentabilidade que você vai ter. É a rentabilidade que o fundo JÁ teve nos últimos 12 meses. Isso não garante que os próximos 12 meses (os 12 meses que você vai estar com seu dinheiro no fundo) serão iguais ou melhores. Podem ser piores. A renda fixa, lembre-se, tem uma REGRA fixa, não uma RENTABILIDADE fixa. É eu sei, é uma merda isso, mas fazer o que né, a regra é essa.
Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura!
Por que prefiro um fundo de renda fixa a um investimento de renda fixa direta como LCI ou LCA?
A principal diferença dos fundos de renda fixa dos bancos pros investimentos diretos de renda fixa, como os da listinha inicial desse texto, é justamente a liquidez. Olha ela ai de novo. Isso por que os fundos são feitos pelos bancos comprando vários e vários outros produtos de investimentos de renda fixa, como LCIs, LCAs e títulos do Tesouro. Então o banco pode vender estes produtos nas suas datas inflexíveis e administrar seu fundo, com bastante lastro para dar ao clinete final (você) a sensação de que a liquidez é imediata, como na poupança. Ei você paga uma baita taxa de administração, isso é o mínimo que eles podem fazer por você.
Então, será que vale a pena mais esse fundo Mercúrio do exemplo do que a poupança pra comprar nossas bolinhas de gude? Não sei, só indo pro Excel mesmo. E isso vai depender de que dias o banco cobra o IR e a taxa de admin.
Tem fundos melhores de Renda Fixa? Tem. Muitos. Mas pra eles terem uma rentabilidade melhor eles precisam enxugar todos os gastos possíveis. Muitos cotistas com valores pequenos é um problemão pro administrador. Poucos cotistas com volumes gigantes são mais fáceis de administrar. Então fundos abertos a aportes pequenos costumam ter performance pior. Fundos de Renda Fixa com rentabilidade imensa exigem coisas como aportes mínimos de centenas de milhares de reais. Ou que o costista tenha no banco ou corretora 1 milhão aplicado. Dá pra começar nos fundos porcarias e ir olhando outros, esperar o IR cair e migrar pra um fundo melhor. Com tempo dá pra chegar em fundos bem legais.
Mas e ai, dá pra comprar as bolinhas de gude com o Fundo Mercúrio? Ih amigão, não dá não. A inflação esta 8% ao ano, lembra? Os R$ 1200 que você gastaria nas bolinhas hoje, dia 01/01/2015, precisarão cobrir o preço delas lá no fim do ano… a 8% ao ano, essas bolinhas devem custar mais ou menos R$ 1.296. É a gente se ferrou nessa, mas, nos ferramos MENOS.
Errata
Tem um erro aí. A taxa de 8,9% de rentabilidade do fundo no exemplo é líquida. Sem o IR de 15% e sem a TA. Quando fiz minha planílha cobrei o IR e a taxa de admin novamente. E por isso o resultado não alcançava a inflação.
Isso foi pra te mostrar que taxas fazem toda a diferença (mentira, foi erro meu mesmo). E é preciso muito cuidado na hora de fazer nossas planilhas. Na verdade, com 8,9% a.a. (caso este fundo mantivesse sua rentabilidade inalterada nos 12 meses seguintes) nosso dinheiro iria chegar a mais ou menos R$ 1.306,80 no final do ano.
Ok, e agora? Governo, me dá um dinheiro aí!
Por que falei só sobre o Fundo de Renda fixa e não sobre os outros investimentos? Os tais CDB, RDB, LCI etc? Pela liquidez. E por que todos esses fundos tem um concorrente melhor dentre eles, que são os Títulos do Tesouro (na minha opinião, e ela pode mudar).
Todos esses investimentos funcionam com data de vencimento. Você vai no banco e vê (ou entra em acordo com ele) a data que vai receber seu dinheiro de volta com a rentabilidade combinada. Ou seja, você vai ter que esperar. E se é pra esperar, então espere pelos melhores, que considero ser atualmente os títulos do tesouro.
Por que? O que eles têm de bom? Não é a liquidez.
O pagador (risco) e o acesso. Os títulos do tesouro são empréstimos ao governo. O governo é o melhor pagador na praça. Se ele não te pagar, é por que a economia esta um caos, e bancos e empresas (que emitem as debêntures, LCIs, LCAs etc.) vão estar em situação muito piores. Então entenda, quanto melhor o pagador, menor o risco. E menos risco é algo bom na renda fixa.
E o acesso é relativamente simples. Hoje você não precisa nem de corretora. Bancos como o Banco do Brasil já intermediam a compra de títulos do tesouro.
Os títulos do tesouro também tem na maioria uma rentabilidade melhor que de outros produtos de renda fixa (pense em 11% a.a. e lembre do nosso fundo com 8,9% a.a.). Então peraí, todos tem liquidez ruim, com data de vencimento. Mas o tesouro tem melhor pagador e melhor rentabilidade? Isso, meio que facilita a escolha né? Bem, nem tanto.
Se você procurar, vai achar fundos, LCIs, LCAs, RDBs, CDBs e Debentures muito boas por ai. Com taxas de admin boas e rentabilidades históricas boas. O negócio é que cada um tem seus pormenores, seus riscos. Dá pra achar coisa melhor que o tesouro sim, mas vai exigir uma pesquisa bem profunda.
Vamos voltar ao tesouro. Que é um investimento que eu particularmente gosto muito. Por que sou medroso e não quero arriscar minha grana. Dois terços do que tenho esta no tesouro. E você já vai ver por que.
O Tesouro funciona assim: imagina que você compra um papel de carta do governo. Nele tem uma data e uma regra (da rentabilidade). Você leva esse papel de volta e entrega ao governo na data que tem escrito nele e o governo te paga pela regra que esta ali. Facinho né? Quase. Por que tem várias datas e várias regras. São todas de renda fixa, mas variam. E sobre as datas, se você quiser você pode levar seu papel antes pro governo te pagar, mas como você não respeitou a data, ele também não vai respeitar a regra de rentabilidade.
Ok, então como funciona?
O Tesouro tem basicamente 3 tipos: Préfixado, SELIC e IPCA. E cada um é melhor pra um objetivo ou perfil. O préfixado é o mais simples: “Olha, me entrega esse papel daqui a 2 anos e te pago 13% ao ano do valor, ok?”. Tipo um acordo as claras entre 2 pessoas. Esse é bem fácil mesmo, sem pegadinhas. Só não esqueça das taxas!
O da SELIC é fácil também. Você compra o titulo, e no final do prazo, de 5, 10, 20 anos, o governo te paga o valor corrigido pela SELIC. Se você não conhece a SELIC, faça uma pausa e vá conhecer, pois ela é nossa amiga:
http://minhaseconomias.com.br/indicadores-financeiros/o-que-e-taxa-selic
O Título do tesouro corrigido pela SELIC é o pós-fixado. Ou seja, você só sabe quanto vai ganhar no final do prazo. Lembra? A regra é fixa, não a rentabilidade. A regra aqui é a SELIC, mas ninguém sabe quanto ela vai estar no mês que vêm.
E por fim o título corrigido pelo IPCA é um hibrido, meio pós meio pré. Os títulos do tesouro IPCA são anunciados com taxas de “IPCA+X% ao ano”. Ou seja, o IPCA mais alguma coisa.
Opa! Pára tudo! Se o IPCA é a inflação… que aqui estamos falando que é de 8% ao ano… e esse negócio aí me paga isso MAIS alguma coisa, então aí está a solução pra comprar as minhas bolinhas de gude!!!
Calma. Não venda a sua casa e ponha tudo lá. Lembre-se da liquidez. Nos títulos do tesouro a liquidez é mais escrotinha que na poupança. Lembrou? Títulos corrigidos pelo IPCA normalmente são de prazo mais longo, tipo 5 anos pra cima. Você não achou que ia ser tão fácil comprar aquelas bolinhas de gude né?
Então recapitulando, os títulos do tesouro tem 3 versões: Préfixado, SELIC (pósfixado) e IPCA (pré e pós fixado).
Mas qual eu escolho?
Depende. Os préfixados e os titulos SELIC costumam ter prazos mais curtos. Se você acha que a SELIC vai subir e topa o prazo oferecido, escolha este. Se você acha que o valor préfixado vai ficar melhor que a SELIC ao longo do prazo do título, compre o préfixado. E se você acha que a inflação vai subir e quer ganhar dela, vá pros titulos IPCA.
Não se deve dar conselhos sobre investimentos. Prefiro que me dêem conhecimento. Mas se você realmente quiser um conhselho mesmo assim, lá vai: se não souber qual título do tesouro escolher, escolha o IPCA. Pode não ser o mais rentável do período, mas vai ganhar da inflação.
E as taxas e o IR?
Pros títulos do tesouro, vale a mesma tabela regressiva do imposto de renda. Quanto mais longo o prazo, menos o IR. Passou de 2 anos, o IR chega nos 15%. A taxa de administração depende da instituição (banco ou corretora) que você usou pra comprar os seus títulos. A minha cobra 0,5% ao ano de TA. Uma das piores do mercado. Mas como eu estava começando a entender de investimentos e eu jáestava na corretora, fui nela mesmo. Agora preciso esperar meus titulos vencerem e eu receber a grana pra pensar em trocar de corretora. (Uma nota aqui: Um colega, leitor dos meus textos enviou um ótimo artigo sobre como você pode transferir seus títulos do tesouro para outra corretora antes do vencimento deles. Em breve postarei e atualizarei o link aqui).
Os títulos tem também uma outra taxa. A taxa de custódia. É bem baixa, mas nunca desprezível.
Mais um detalhe
Os títulos do tesouro têm também dois sub tipos: Principal e com Cupons Semestrais. O título que chamam de “principal” te paga tudo de uma vez só na data do vencimento. O dos cupons te paga parte da rentabilidade a cada seis meses e guarda uma parte pra bolada no fim do período. Lógico que os do tipo “principal” tem potencial para uma rentabilidade melhor, já que a grana fica lá o tempo todo. Mas os cupons podem ser uma boa saída pra quem não quer vender os títulos antes da hora e quer uma graninha sem esperar o prazo final chegar.
E falando em vender antes da hora, atenção porque:
Dá pra PERDER dinheiro com os títulos do tesouro!
Ué! Mas eles não pagam melhor que inflação? Como dá pra perder dinheiro ali? Com a pressa! Teve pressa com os títulos do tesouro, se fudeu camarada! Vou te explicar por quê.
Imagina que o título é um pedaço de papel, ok? Nele tem a tal data e a regra de recebimento. Você compra um papel, paga R$ 1.000 nele. A data é o final de 2020. Longe a béça. Ele é do tipo IPCA+ 6% ao ano. Se você ficar com esse papel até 2020, o governo vai te pagar o IPCA do período mais os 6% ao ano, exatamente como combinado. Mas se você quiser pegar seus R$1000 antes, você vai pedir pro governo recomprar seu papel, e ai ele vai te dizer: “OK, mas vou te pagar o que estão oferecendo aí na praça… e hoje é R$ 950. Aceita?”
Como funciona isso: toda semana o governo recompra e revende títulos (agora é todo dia que ele faz isso). Ele vende os que ele já tem e compra de quem está com pressa. E como funciona a precificação dessas compras? Vai depender das taxas. Se no nosso exemplo, seu titulo de R$1000 pra 2020 pagava IPCA+6%, e semana passada o governo emitiu titulos de R$1000 pra 2020 também com IPCA+6,5%, ninguem vai querer compra o seu. Ai o governo recompra pagando menos.
Por outro lado, se a inflanção despenca e o governo começa a emitir títulos iguais ao seu, mas com taxa de IPCA+3%, aí o seu título pode valer bastante agora na venda com pressa.
Pra não se complicar, o ideal é entrar nos títulos do tesouro pensando em deixar o dinheiro lá até a data do vencimento. Eu tenho títulos que só vão vencer em 2020, 2024 e 2050. É parada pra longo prazo mesmo. Se você acha que vai precisar do dinheiro compre títulos de prazos mais curtos, ou um que tenha cupons, ou ponha num fundo de renda fixa mesmo.
O tesouro tem uma calculadora bem interessante. Gosto muito de usar ela. Principalmente pra ver o valor dos cupons semestrais.
http://www3.tesouro.gov.br/tesouro_direto/calculadora/calculadora.aspx
Chega!
Bom, já falei pra caramba. Chega. E as bolinhas de gude no fim do ano? Talvez não dê pra comprar com um fundo de renda fixa que aceite R$ 100 iniciais. Talvez nem com os títulos do Tesouro. Que chato. Quem sabe no próximo capítulo… com ações!
E títulos de capitalização? Você nem falou deles! Posso fazer um e comprar as bolinhas!
Antes de mais nada: NÃO! Não não e não. Mil vezes não. Respira. Não. Titulos de capitalização são como sorteios. Você esta apostando. E perdendo dinheiro. Perdendo mais do que na poupança. (E perdendo o respeito!) Se alguém te oferecer títulos de capitalização dê logo um tapa na cara dessa pessoa (ou ao menos pense que ela merece isso). Se você já tem um, ok, todo mundo erra, tire a grana de lá o quanto antes. Eles só são bons para quem os vende.
Abraços.
PS: Quem quiser conhecer mais sobre os investimentos, recomendo ouvir dois podcasts:
http://granacast.com/2014/08/28/episodio-11-enchendo-o-cofrinho-parte-1/
http://granacast.com/2014/09/10/episodio-12-enchendo-o-cofrinho-parte-2/
Errata e adendo
Falei algumas besteiras e peço sinceras desculpas. Acho que já as corrigi nesta versão do texto, mas não custa lembrar:
Taxa de administração
Sobre a taxa de administração dos fundos. Ela não é cobrada sobre os lucros não. Ela é cobrada anualmente (ou semestralmente) sobre tudo o que foi depositado e rendeu no fundo no período. Se você tinha R$ 10.000 num fundo e você depositou R$ 600 nos últimos 6 meses e o fundo teve um crescimento de R$ 50, a taxa de admin. é cobrada sobre o total disso ai (R$ 600 + R$ 50). Os R$ 10.000 que já estavam lá antes ficam de fora, pois já foi cobrada uma taxa de admin. sobre este valor em períodos anteriores.
Taxa de carregamento
Essa taxa existe em alguns fundos, principalmente os fundos de previdência. Ela é cobrada sobre o que você deposita. Ou seja, um fundo com taxa de carregamento de 3%, onde você deposita R$ 100, efetivamente só caem R$ 97 no fundo, os outros R$ 3 já vão direto pro banco. Foda né? Falo mais dela no próximo texto.
Taxa de performance
Essa eu até gosto. Essa taxa significa que apartir de uma certa rentabilidade alcançada com o fundo, será cobrada uma taxa sobre o que exceder essa meta. Por exemplo, um fundo com taxa de performance de 5% apartir de 20% (a taxade performance sempre tem 2 valores) , se você tem R$ 100 no fundo e ele tem uma rentabilidade de 20%, você não paga a taxa de performance. Mas se ele tem 30% de rentabilidade, você recebe os 20% sem a taxa e os 10% excedentes sofrem a taxa (5% de 10% dá 0,5% do total). Por que eu gosto dela? Por que essa taxa é um incentivo para o gestor do fundo fazer um bom trabalho. São poucos os fundos que tem essa taxa de performance, mas ela pode ser vista como um indicador de que aquele fundo é gerido com mais apreço pelo gestor.
Abraços.