“O Quadrante da Responsabilidade”

Existe um modelo na teoria da comunicação chamado de “Quadrante da Responsabilidade”. Ela nos ensina que a responsabilidade pode ser dividida em quatro tipos:

eu, você, a situação, e um poder superior.

Aqueles que tomam a responsabilidade para si são mais eficazes, pois essa perspectiva permite a eles abordar a realidade de forma proativa. Se algo não está funcionando em suas vidas, eles consideram todas as coisas que podem mudar e tomam imediatamente o controle da situação. Eles não culpam os outros ou as circunstâncias, eles não culpam a Deus por seu próprio destino. Eles são os mestres de seu próprio destino e têm a capacidade de influenciá-lo. No entanto, um de seus defeitos pode ser uma tendência a dominar os outros, a falta de humildade e egocentrismo.


Aqueles que transferem a responsabilidade para os outros ensinarão a auto responsabilidade para ser mais eficaz. Isso irá ajudá-los a evitar, em um processo educativo (pais) ou um processo organizacional (delegação de tarefas em sua companhia), desabilidade aprendida por parte dos seus filhos ou funcionários. Mas se transferirem a responsabilidade em situações onde eles devem tomá-la, eles se tornam vítimas de forças externas. Eles perdem eficácia, tornam-se subordinados às ações de outras pessoas e começam a pensar de forma reativa em vez de criar um futuro melhor. Eles só podem reagir a um momento presente horrível e repetir os mesmos erros repetidamente. Você pode identificá-los pelas frases que eles usam:

Se meu marido…, então eu poderia ser feliz; Eu não estou ganhando o suficiente porque o meu patrão é ganancioso; Eu não sei como, porque eu tinha um professor terrível; e assim por diante.

Aqueles que transferem a responsabilidade para a situação são tipicamente muito conscientes do seu ambiente. Eles podem prever as tendências do mercado no mundo dos negócios; eles percebem a estrada durante a condução; eles têm boa consciência espacial enquanto caminham pela rua; e quando eles estão aprendendo algo, eles levam em conta as correntes atuais do desenvolvimento. Eles são adaptáveis porque eles entendem o quão poderosas as influências ambientais podem ser. Mas, assim como o segundo tipo de pessoa, eles podem entrar no papel da vítima e se queixarem de que o acidente de carro foi causado pelo mau tempo (e não por sua pobre habilidade de condução), que eles não fazem dinheiro suficiente por causa das políticas governamentais e assim por diante.


O último grupo é constituído por aquelas pessoas que acreditam em uma força superior chamada – dependendo da cultura – por nomes como: Deus, Mente Universal, Destino, Carma, Sorte, Talento, Consciência Maior, e assim por diante. Sua vantagem é que eles são humildes e entendem suas próprias fraquezas e falta de conhecimento absoluto (algo que o primeiro grupo não fará devido ao desejo de controlar tudo). A parte negativa, semelhante aos exemplos anteriores, é a sua capacidade de transferir a responsabilidade a um elemento totalmente fora de seu controle. Alguém assim vai dizer:

Eu não posso falar um idioma estrangeiro, porque eu não tenho “talento” para isso (mas ninguém sabe o que esse “talento” realmente significa), em vez de dizer: Eu não comprei um único livro que pudesse me ajudar a aprender o idioma. Tive azar, em vez de: Eu estava sendo preguiçoso e não fiz esforço algum para aprender as habilidades necessárias.

Há muitas pessoas na sociedade que funcionam sob a narrativa dominante da vítima. Por suas próprias fraquezas eles muitas vezes culpam seu governo, seu país, ou as pessoas que têm mais recursos (por exemplo, as pessoas ricas). As vítimas nunca alcançam o sucesso, porque elas nunca agem e culpam os outros por sua situação. A partir deste ponto de vista, realmente não importa se o governo (aqui entendido como um fator externo) de um determinado país realmente suporta os seus cidadãos ou não. Tudo o que importa é o nível real que a eficácia assume quando prestamos atenção ao que podemos controlar e quando ignoramos tudo o que está fora de nosso controle.

Mateusz Grzesiak é psicólogo, treinador de desenvolvimento pessoal e coach. Trabalha internacionalmente em 6 idiomas e é autor de oito livros sobre psicologia do sucesso, mudança, negócios, relacionamentos, inteligência emocional e tomada de consciência (mindfulness).

Originalmente em: http://www.forbes.com.br/fotos/2016/05/5-tipos-de-pessoas-que-nao-conseguirao-coisa-alguma-na-vida/#foto5