Vou morrer mesmo, qual o motivo de se fazer algo então?

Tudo que se faz, gera reação, desde as minúsculas facetas até as que podem causar repercussões maiores dado as ações. Mas por trás de cada ato intencional, existe logicamente uma intenção. A intenção é o significado do ato que ocasionou a reação. Seja ele consciente ou não de todas as possíveis consequências. Se a intenção era àquela, caba sendo lógico que o valor do significado foi parte da consistência capaz de impulsionar um ato gerador de reação. É comum que as ações gerem reações criadoras de resultados, percepções e realidades possíveis notadas ou não, mas sobretudo no final vira uma história. Dependendo de suas proporções, a história pode durar desde um breve período de tempo até uma quantidade de tempo relativamente maior. Mas o fato é que, as coisas passam e, até as memórias se vão com a ventania que empurra o velho. Portanto, as reações que um dia reagiram, não mais reagem aqui e suas histórias não mais mais serão lembradas. Apesar do fim de tudo que esteve uma vez, sempre haverá um significado mesmo que invisível pairando no que um dia esteve possível. Como um rei do xadrez, mesmo guardado na caixa ou se desintegrando por ai por algum esquecimento, seu significado intrínseco continua coexistindo no universo. Seu valor sempre terá sido esse e como não podemos acessar o passado, nada poderá mudar este fato que damos significado. O próprio significado que damos reforça ainda mais o fato da peça representar um rei. Essa representação sempre terá sido um fato. Mesmo que esquecido, é um fato que um dia esteve e seu significado continuará, portanto sendo o mesmo.
Muito mais do que a ação e reação, obviamente é a intenção. Nas profundezas da intenção há algo lá que não conseguimos enumerar ou quantificar, o tal do significado. Não podemos deduzi-lo com exatidão da mesma forma que jamais poderíamos deduzir ou explicar perfeitamente com extrema precisão o eterno junto com o tudo que paira no infinito no palco do que é. No meio do infinito, o grande que se parece tão muito diante dos pequenos olhos, acaba se tornando estreito no palco que abriga o significado que faz o universo. Algo sempre será algo. Sempre será algo ecoando significado em algum lugar existente no palco do eterno. E ter significado é fazer parte do mesmo algo que é a consistência do eterno. De certa forma sendo parte do eterno, se torna eterno na soma que foi e que é. O significado não quer ser entendido ou visto, mas quer estar, quer pairar de forma singela e poética por ai enquanto dá cor e vida no mistério. Assim como o eterno está por estar e não ainda para ser entendido. Somos um significado antes dos atos assim como os atos são um significado não quantificado pairando nas entrelinhas do que está ou uma vez foi.
Eu me vou, mas os significados ficam. Ficarão coexistindo por ai juntamente com o infinito graças a quem um dia esteve ali. Ficarão pairando nas entrelinhas do eterno aqui no palco do que um dia foi aqui. No fim tudo será nada e esse nada terá sido o tudo que um dia fizemos e/ou tentamos encontrar. Mas ninguém disse que esse nada significa a ausência de todas as coisas. Afinal todavia, se o nada fosse nada, não teríamos palco para nenhum significado impulsionar qualquer algo para gerar tudo isso aqui. Não entendemos muito, mas pelo menos sabemos que algo sempre será algo de estarmos aqui para ver seu significado para nós. Mesmo que acabe, terá sido algo e mesmo que a história do terá sido acabe, o significado paira no eterno e inimaginável palco do que um dia foi coexistindo com o infinito que faz parte do tudo.

O que não sabemos não existe para nós, mas existe por ai nas entrelinhas que transcendem o nosso imaginário dando mistério e cor no eterno que tanto os mais audazes querem aprender a ver e entender. E olha que curioso, mesmo que provavelmente jamais entendam tudo, ainda o fazem pois o significado por trás de querer entender é o mistério que faz os fatos escondidos de nós se tornarem tão curiosos e instigantes. Buscar assim mesmo, isso é algo. Algo sempre será algo. Já nada é nada, mas o nada não é somente a ausência de todas as coisas, afinal a ausência de todas as coisas pode ser imaginado ao pensar na ausência. O nada é o que não cabe em nenhuma condição mínima de qualquer imaginário. Isso sim não faz parte e portanto é insignificante, já o resto…Bom, já o resto é significado coexistindo por ai ecoando nas entrelinhas do eterno que foi e está. Antes fazer algo do que não fazer nada. Antes ter um significado nesse algo do que não produzir significado nenhum para somar cores que transcendem nosso ser em rumo ao infinito para pairar na soma do tudo que é e um dia foi. Tudo isso colore ainda mais esse misterioso universo. Universo esse que só é normal e pouca coisa para quem é cego de espírito.
- Icaro Fonseca
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