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Estamos todos dispersos até que a música bruscamente para.
- Essa é uma das minhas favoritas, mas essa versão está feliz demais! Disse eu, pra quebrar o gelo.
Todos riram. Depois, parecia um silêncio inquebrável. Ou pelo menos pra mim. Eu não sei quantos de nós estavam lá. Dez, nove… sete, talvez. Animais lentos em fuga, tentando alcançar algum tipo de graça. Alguns pareciam ficar estáticos na poeira de outros. Unidos mas distantes. E tinha essa garota, em particular. Ela era muito astuta. Obviamente tinha um grande poder de persuasão e atração. Também articulava as coisas, mesmo que os outros não percebessem. Ela tinha grandes truques e histórias insanas. Em algum momento de maior claridade, ela me lançava olhares penetrantes. Nós não dizíamos nada, nem mesmo com as palavras previsíveis que saíam das nossas bocas. Eu estava pensando que talvez ela usasse um disfarce tão misterioso quanto o meu, enquanto nossos olhos perdiam a conexão. Na verdade eu só queria saber o que ela pensava. Do quê ela fugia. Se é que ela estivesse tentando escapar de algo.
À medida que ficávamos mais próximos, a introspecção crescia. Ela tinha bons movimentos, bons reflexos e sua atmosfera insinuava que eu era momentaneamente apenas um pássaro em uma gaiola.
- É assim que é… dizia ela com firmeza, esboçando um sorriso, enquanto imprimia certa empatia.
Ela realmente estava certa, por um lado. Eu era um barco à deriva. Nenhuma rota me levaria à lugar algum.
Mas por pouquíssimo tempo.
If you’ve a lesson to teach me, I’m listening, ready to learn
There’s no one here to police me, I’m sinking in until the return
If you’ve a lesson to teach please don’t deviate, don’t be afraid
Without the last corner piece I can’t calibrate, let’s get it ingrained
