UM ENTRE OUTROS MAIS

Eu desperto de um devaneio repetitivo que me leva a uma estranha fatia de particularidade, que há dias tento assimilar. A memória distante dos rostos que se apagam das minhas lembranças são menos frequentes. Estou sendo eu mesmo, como costumava ser. Penso em tudo.
Começo a vagar pelos mesmos passos que foram e ainda são hoje os meus. Não é difícil encontrar a vida que pensei ter deixado, porém aquela vida não me comporta mais. Parece que estou mais distante dessa vez. É como não sentir o chão embaixo da água. Dessa vez, é sobre se deixar levar. É sobre flutuar. Talvez, seja sobre não se afogar, também. Tudo acontece devagar.
Não sei de quem são os olhos com os quais fantasio um contato. Mesmo quando estou perto, não há ponto de vínculo, então eu mudo. Recebo as cartas, tenho os números, mas não vou jogar por muito tempo. Realmente estou mais distante. Tão distante que nada me alcança. Não há medo ou ansiedade, nem tristeza. Existe apenas minha imaginação sobre o que isso tudo significa.
Vejo tudo mudar pela janela e quando percebo, estou mais longe ainda, desarranjado como uma cor opaca a meio de maravilhosas cintilâncias, enquanto tudo acontece devagar.
Escrito originalmente em Novembro/2016
