trem das 11

Você fechou a porta

eu prometi que não ia voltar

peguei o primeiro ônibus pra casa

esqueci minhas chaves no teu andar

ironia grande perder duas casas no mesmo dia

tua morada era de joão de barro e ele não mais vivia

tão bem arquitetada, mas de exata não existe nada

e eu que sou tão bem calculada me vi em formas inacabadas

falta a metade e a conta deu errada

não se divide um por dois, é demais

- talvez não seja tão ruim assim -

os carros e as casa vão passando e eu não as enxergo

não me é semelhante essa perspectiva, demoro a me acostumar

de tão sua eu fui, não sei onde fui parar dentro da minha própria cabeça

e a fala me parece errada, não se trata de nós.

eu não consigo entender porque minha voz trava e meu cérebro se recusa a entender o que a linguagem evidência

como quem congela o tempo para si, girando sem órbita

de porta em porta, como um pedante a procurar porque aqui dentro é tudo mais calmo

nesse meio tempo eu perdi as palavras e a hora

na última estação lembrei que não tinha volta

a demora me engoliu no tempo

esfacelou momentos que não mais me lembro.

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