7 Coisas que ensinarei aos meus filhos.

Primeiramente, escrevo esta confissão sabendo que todas as palavras daqui estão sujeitas à mudança, justamente por estar aprendendo a rever meus conceitos quase que diariamente.

Por entender a relevância dos ensinamentos passados de pai para filho e como eles servem de base para o ser humano que será formado, tenho pensado muito no que eu, a Ilanna que existe neste exato momento, quero transmitir para os que virão após mim.

  1. Ninguém é, nem de longe, obrigado a ser igual a você. A diversidade é essencial e todas as ações devem ser reagidas com amor.

Acredito em Jesus Cristo e uma das citações dele que mais procuro ter como base para minha ética de vida é:

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”
(Mateus 19.19)

O “próximo” que Cristo cita nessa passagem (Pasmem religiosos fanáticos de plantão!) não é necessariamente teu semelhante, mas sim todos (exatamente TODOS) à tua volta.

Amar o próximo significa abraçar e acolher as diferenças num amor genuíno e isso é a principal consciência para uma vida harmoniosa com as pessoas que nos rodeiam.

Só um adendo que eu acho importante fazer sobre essa passagem é que nela Jesus procura ensinar mais duas coisas:

  • Não da pra amar o teu próximo se tu mesmo não te amas.
  • Amar é se colocar no lugar do outro. Se você, que se ama, não gostaria de passar por tal situação, não faça com que outros passem.

2. Ser aberto à mudança é o que diferencia alguém medíocre de alguém que faz diferença.

Eu tenho pouquíssimas (porém, muito substanciais pra mim) verdades que considero absolutas e entendo que, não necessariamente por tê-las como absolutas eu posso considerar e querer obrigatoriamente que todos concordem comigo. Acredito que este aprendizado que estou tendo me faz cada dia mais ser mais sincera comigo mesma e ao mesmo tempo menos babaca com opiniões contrárias à minha.

Estar aberto à visões novas sobre diversos assuntos podem levar a dois caminhos:

  • Aceitar uma visão que faz mais sentido que a sua.
  • Ter mais certeza dos seus ideais mesmo tendo os colocados à prova.

Sinceramente acredito que, os dois são extremamente proveitosos e te levam a um maior auto-conhecimento e por tabela é aberto um espaço para o auto-desenvolvimento.

3. Nem todo mundo tem/teve os mesmos privilégios que você, portanto não julgarás ninguém, tu não sabes nem metade da bagagem que as pessoas carregam.

A pior atitude que alguém pode ter é achar que o mundo é repleto de pessoas que tiveram as mesmas oportunidades, o mesmo nível de carinho familiar, a mesma educação ( política, religiosa, escolar) e que tiveram uma trajetória de vida bem parecidas. Essa atitude de quem vive em uma bolha leva à intolerância, ao julgamento sem sentido, ao desprezo pelo sentimento dos outros.

Ensinarei aos meus sucessores que empatia e compaixão são uns dos sentimentos mais valiosos do mundo e que todos merecem ser tratados com base neles.

4. A arte é essencial para a vida.

“A arte é uma dessas coisas que, como o ar ou o solo, estão por toda a nossa volta, mas que raramente nos detemos para considerar. Pois a arte não é apenas algo que encontramos nos museus e nas galerias de arte, ou em antigas cidades como Florença e Roma. A arte seja lá como definimos, está presente em tudo que fazemos para satisfazer nossos sentidos’.
Herbert Read.

Parafraseando o autor da citação acima, que defendia a arte como base da educação, o preço que pagamos pela exclusão ou da minimização da arte dos currículos escolares e das mentes dos jovens é uma sociedade repleta de seres humanos hediondos, uma sociedade dividida, cheia de mentes doentias e lares infelizes.

A arte liberta, é indispensável na formação de corações mais sensíveis e tolerantes, apresenta ao indivíduo realidades diferentes e contribui com a felicidade da alma e com certeza gostarei de perpetuar meu amor por ela aos meus filhos.

5. Sentimentos existem para ser demonstrados. Se conter só vai levar a uma traição consigo mesmo.

Uma das coisas mais absurdas criadas pela nossa querida sociedade é a ideia de que as pessoas sentimentais são fracas, vulneráveis e que não possuem a tal inteligência emocional. Pros homens o negócio também é tenso, uma vez que a figura do “macho” é tão valorizada e tudo o que é mais sensível é desprezado e pejorativamente atrelado à ideia da “mulherzinha”.

Tal ideia é incrivelmente nociva à qualquer mulher (tanto as que demonstram quanto as que escondem) e aos homens que não conseguem ou que simplesmente não se sentem obrigados a esconder o que sentem.

Acredito que todos nós devíamos ensinar aos nossos filhos que tudo bem chorar, tudo bem mostrar pro mundo quando estamos felizes, tudo bem se sentir frustrado (afinal, fracassar não é um pecado. Não aprender nada com o fracasso que é), tudo bem não estar bem em todos os momentos. Devemos ensinar também que se o outro sente ele não deve ser menosprezado, depressão não é coisa de gente fraca, ansiedade não é coisa de gente descontrolada, TOC não é coisa de gente doida e que se conectar em nível sentimental com outra alma é uma das coisas mais nobres a se fazer.

6. Espiritualidade é indispensável e quebra as barreiras da terrível religiosidade.

Tenho feito algumas descobertas, estou descobrindo cada vez mais que cuidar do espírito vai muito além de religião, das paredes de um templo. Ser espiritual é estar 100% do tempo em contato com o divino, em qualquer coisa que eu estiver fazendo, em qualquer situação que eu esteja passando e com qualquer pessoa eu esteja me conectando.

7. Deve existir equidade de direitos entre os gêneros.

Esse vai ser simples, gênero não define caráter, gênero não define capacidade, mulheres não necessitam de cavalheirismo, mas sim de igualdade política, social e econômica.

(A mãe deles é feminista, eles vão saber diferenciar o feminismo do esteriótipo criado pelo movimento anti-feminista.)

Gostarei de um dia poder retornar a este texto, ver o que o futuro me reservou, ver se minhas crenças continuam as mesmas, ver se estou ensinando direitinho o que eu me propus.

Vai ser legal, eu gosto dessas coisas.

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