Não, não me peça para esquecer que existe um cão maldito entre nós
Não me prenda em um corpo
Eu sou metamorfose
Sou uma criança correndo descalça
Correndo com o rosto pintado
Há como eu sorria, minha mãe
Vamos lembrar de cirandas que não existiram
De quando a gente brincava
Só na minha cabeça
Agora, não é só com a sua falta que lido
É com a impossibilidade de ter um teto sobre a cabeça
Se eu desabrocho e mostro minhas flores
Sou praga, erva daninha que se taca fogo
Eu vou embora, com minhas flores na cabeça
Sempre que alguém me colocar camisa de força
Já bebi do cálice por muito tempo
Por minha liberdade, por minha vontade de amor
Eu vou longe, longe de tudo que me faz mal
Que me reprime
Vou chorar, mãe
Sei que vou, mas o sorriso virá
Quando pensar que faço o certo
Não me defina, pois nem eu ouso
Vou correr pelo mundo com a cara pintada
Escancarado que
Eu não sou.
O que querem de mim.

