Levei meu próprio buquê

Hoje é um grande dia. Ainda estamos nas primeiras horas da manhã, o vestido está quase como pluma no cabide e meus sapatos compartilham a vista pela janela. Já fiz minha meditação diária, bem como minhas unhas. Eu mesma farei algo nos cabelos. Não haverá bem-casados, mas champagne e um delicioso almoço. O interfone interrompe o silêncio e o porteiro anuncia — suas flores chegaram. Flores de cerejeira, minhas preferidas.

Banho longo, música tranquila daquelas que inspiram, alguns grampos, meus tímidos cachos e perfume. Estou pronta. Minhas amigas acabam de chegar, me esperam no hall. À caminho, circulamos entre momentos de silêncio, olhos marejados, lembranças de uma história antiga de amizade e muitas risadas. Nossa trilha até ali não foi das mais fáceis, mas sim, temos orgulho do que fomos, do que nos tornamos e das escolhas que fizemos.

E a cerimônia começa. Aquele não era um casal comum. Charlene usava um vestido azul bordado com delicados pássaros, All Star e meia arrastão nude. Beto, pura alfaiataria e Havaianas. No diário de bordo daquele homem e daquela mulher estavam idas e vindas, momentos de amor e desamor e finalmente o que os uniu definitivamente, a constatação de que poderiam viver um sem o outro. Foi quando a relação ganhou respiro e permissão para existir e crescer. Objetivamente leve.

Eu era a testemunha ao lado de Cha e Pedro estava ao lado de Beto. Eu e meus olhos sorridentes segurávamos aquele ramalhete de flores, enquanto Pedro, um único e lindo cravo branco ao fim de seus braços cruzados. Quando fui convidada para a união, perguntei logo sobre o buquê, mas a noiva dispensava esses tradicionalismos. Ela só queria estar com ele (ou, ela só queria segurar as mãos dele) e eu …. eu só queria os bons ventos trazidos pelo jogar daquelas flores. Mas ao fim das negociações, sem sucesso, resolvi -“ Vou levar meu próprio buquê.”

Após os votos, encaixei alguns botões nos cabelos de Cha e Pedro colocou o cravo no bolso esquerdo da calça de Beto. Jeito generoso esse de compartilhar a sorte, os desejos de vida, amor e encontro.

E éramos nós, ali. Celebrando, agradecendo e pedindo. Uns pelos outros e cada um por si. Casamento é mesmo assim, lembrança de que dá pra ser feliz, do jeito que lhe cai bem. Fui feliz com meu buquê, e mais ainda em dividir minha esperança.

Pedro me deu carona para casa, passamos em um drive thru e compramos sorvete. Estacionamos na Beira Mar e encostados no carro conversamos sobre a vida, o clima e o coração.

Champagne bom aquele, virou vinho até o fim da noite.

E falando em casamento… recomendo este lindo artigo de uma blogger que adoro, Joanna Goddard que escreve o “A cup of Jo”.

> “8 things I’ve learned about marriage