12 cientistas da atualidade

Uma reflexão sobre as exigências e os caminhos que as mulheres têm empreendido desde o milênio passado.

Simone de Beauvoir, uma das grandes embaixadoras da luta das mulheres durante o século XX, disse certa vez que “o feminismo é uma forma de viver individualmente e lutar coletivamente”. Essa deve ser a melhor maneira de começarmos esse artigo, refletindo sobre os espaços, as exigências e a consciência das mulheres.

Em 2015, demos um passo no que podemos chamar de primavera sem fim, como sugeriu Luíse Bello em um de seus textos para a Think Olga. As redes sociais, os coletivos e as mais diversas vozes se encontraram de uma maneira que talvez nunca tivesse acontecido, tamanho foi o impacto desse movimento feminino — e este é um caminho sem volta.

Para mostrar resumidamente os marcos de 2015, a Think Olga em parceria com a Agência Ideal fizeram um infográfico com os pontos mais altos das ações em rede. Veja abaixo:

Olhando para tudo isso parece que essa é uma luta recente, quando na verdade não é. O problema é que por muito tempo não pudemos discutir tão abertamente como agora. Por isso, parte da nossa responsabilidade é de trazer à luz histórias que nosso modelo de cultura, machista e patriarcal, deixou que fossem esquecidas, ou melhor: não compartilhadas. Foi esse desejo que nos motivou a começar a campanha #MulheresQueImpactam — um movimento para que histórias de grandes mulheres que estão mudando o mundo a partir de suas ações possam alcançar novos espaços e inspirar ainda mais iniciativas e posicionamentos.

Histórias que esqueceram de nos contar

Vemos tudo isso num mix de êxtase e revolta por nos dar conta de que esse é o resultado de uma série de movimentos que datam desde pelo menos 1405, quando Christine de Pisan lançou A cidade das damas, um livro sobre o mito das Amazonas.

A busca por igualdade e desconstrução do estereótipo de inferioridade não é uma briga da modernidade, ela existe há séculos! E no Brasil, especificamente, muitas histórias não chegaram até nós. Que tal darmos um pouco de atenção a elas? Neste espaço, ressaltamos algumas:

Aqualtune

A primeira é Aqualtune, uma mulher escravizada em 1665 por Portugal e trazida para o Brasil. Antes disso, ela liderava uma força de 10 mil homens na tentativa de impedir a dominação no Reino do Congo. Estando aqui, ela organizou uma fuga com outros escravos em busca de se juntar ao quilombo dos Palmares.

Quase 200 anos depois, em 1832, Nísia Floresta publicou a obra Direito das mulheres e injustiça dos homens, considerado a fundação do feminismo brasileiro. A briga de Nísia era contra a crença da superioridade masculina, exigindo que as mulheres fossem consideradas dotadas de razão assim como os homens — e pudessem exercer cargos políticos e participar de todos os espaços sociais como iguais.

Só em 1879 as mulheres receberam a autorização para cursar o ensino superior. Quarenta anos depois, em 1919, a Conferência do Conselho Feminino da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou o pedido de iguais salários para mulheres e homens que desempenhassem a mesma função — algo ainda tão distante da nossa realidade, na qual mulheres têm salários em média 30% menores que os homens ocupando os mesmos cargos.

Em 1962 foi criado o Estatuto da Mulher Casada, permitindo que a mulher trabalhasse sem precisar da autorização do marido, tivesse direito à herança e a possibilidade de ficar com a guarda dos filhos em caso de divórcio. Hoje, olhamos pra isso e vemos na verdade um movimento bem estranho, quando os homens se sentem imunizados de sua responsabilidade com os filhos, dando quase que exclusividade à mulher no que diz respeito ao cuidado familiar.

13 anos depois, temos um chamado para olharmos para a questão das mulheres em âmbito mundial. Quando, em 8 de março de 1975, a ONU define o ano e a década internacionais da mulher. Nesse mesmo dia aconteceu uma reunião de mulheres na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, o que marcou principalmente a participação das mulheres negras no feminismo. Quando elas apresentaram um documento sobre a herança da escravidão de objetificação das mulheres negras — tema de muitos debates até os dias de hoje.

Esther de Figueiredo Ferraz

Em 1982, Esther de Figueiredo Ferraz foi nomeada ministra da educação, a primeira mulher com tal cargo, a primeira mulher a ocupar uma cadeira da OAB e a dar aulas na USP.

No ano seguinte, nasceu o Coletivo de Mulheres Negras em São Paulo em resposta à criação do Conselho Estadual da Condição Feminina que não tinha nenhuma mulher negra entre as conselheiras.

Mais recentemente, em 2006, entrou em vigor a Lei 11.340, mais conhecida como lei Maria da Penha, com punições mais rigorosas para crimes domésticos. E você sabe o motivo desse nome?

A lei é chamada popularmente de Maria da Penha em homenagem à mulher de nome homônimo que sofreu abusos por 23 anos. O marido dela tentou matá-la duas vezes. Quando ela finalmente teve coragem para denunciá-lo, o Brasil não tinha qualquer mecanismo para ajudá-la.

Você pode consultar uma linha do tempo mais detalhada sobre marcos do feminismo no mundo todo, acesse a Universidade Livre Feminina: http://feminismo.org.br/historia/.


É claro que existem ainda diversos nomes e datas que mereciam ser lembrados aqui, mas o ponto é que ainda estamos pres@s nas mesmas reivindicações do milênio passado. E como lidamos com essa constatação de agora em diante? Como somxs mais incisiv@s e prátic@s para que todas essas agendas sejam colocadas em ação?

É para trazer resposta a essas perguntas que diversos coletivos e organizações estão trabalhando. E é por isso que falar sobre a mulher é tão prioritário.

Pensando nisso, o Impact Hub São Paulo decidiu colocar a mulher como um de seus pilares. Impact Women é agora uma de nossas principais agendas, com a primeira ação em vigor agora nos meses de fevereiro e março: #MulheresQueImpactam.

E o que impacto tem a ver com tudo isso?

Você com certeza já ouviu falar dos empreendedores sociais, dos novos perfis do século XXI. O que todos eles têm em comum? A necessidade de colocar seu tempo a trabalho de causas que são maiores do que as demandas individuais.

Feminismo significa conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos. Essa igualdade atinge todos os níveis da vida: acesso a educação e oportunidades independente de classe social, igualdade independente de qualquer diferença de cor, cultura… significa DIGNIDADE.

O que pode ser mais impactante do que isso?

Essa mudança de pensamento, de comportamento, de cultura é mesmo capaz de promover avanços para combatermos as principais fontes de desigualdade: violência, mortalidade, saúde, trabalho, casa e todos os outros quesitos que possam vir à sua cabeça neste momento.

Por isso é tão importante fortalecer as mulheres. Por isso é fundamental acabar com esse sentimento de que falar de feminismo é complicado ou chato demais e entender como esse é um movimento essencial para termos uma mudança real no mundo.

Está na hora de vermos o gênero como um espectro no lugar de dois lados de ideologias opostas. — Emma Watson.


Algumas das #MulheresQueImpactam

Nos dias 08, 16, 21 e 28 de março, o Impact Hub realizará encontros para que possamos discutir e criar ações com o objetivo de fortalecer e empoderar ainda mais as mulheres. Saiba mais acessando nossa agenda, e participe!.

Feminismo é a pauta da vez e continuará sendo por muito tempo porque não haverá mais espaço para ignorar a mudança.

#Inspire #ImpactHub #ImpactWomen #MulheresQueImpactam

Se você gostou deste texto e acredita que ele pode contribuir com outras pessoas, compartilhe, comente e recomende para que possamos continuar a produzir mais e mais conteúdos relevantes para os desafios que batem à nossa porta.

Impact Hub São Paulo

Written by

O Impact Hub é um ecossistema global de espaços, pessoas e ideias empreendedoras para promover inovações sociais em rede.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade