Frontier

A primeira coisa que se nota é que a série parece querer se aproveitar do sucesso de O Regresso, filme que deu o Oscar a Leonardo DiCaprio.

Declan Harp (Jason Momoa) é um mestiço que se torna proeminente no comércio de peles em uma região no Canadá, virando um espinho para a companhia inglesa que governa a região. Mas ele não é o único, pois vários disputam o comércio de peles. Todos bancam os durões e querem forçar seu domínio sobre os outros. Todos ameaçam e são ameaçados, sem muita consideração antes de tirar a vida de alguém. É daí que resulta a vida difícil e não das condições inóspitas, que poderiam ser bem exploradas. Praticamente nada é mostrado do comércio de peles em si (caça, esfolamento, carregamento, etc).

Declan Harp (Jason Momoa)

Harp não é muito melhor do que os outros, e utiliza os métodos aprendidos quando servia a companhia a seu favor, além de sua herança indígena para aumentar sua rede de contatos. Ele certamente não é herói, mas ainda assim é o pacificador entre alguns dos interessados sem deixar de agir com violência sempre que esta lhe parece como o atalho para conseguir algo ou marcar posição.

Os diálogos são rasos, previsíveis; assim como as personagens, incluindo Harp. A violência não é necessariamente explícita, salvo quando Harp decide cortar uma orelha ou outra parte de alguém, mas sem detalhes.

Não há grandes nomes no elenco, ainda que haja um ou outro rosto conhecido: Zoe Boyle (Downtown Abbey) — a dona da taverna durona que se fez em meio aos homens; Landon Liboiron (Hemlock Grove) — o garoto pobre que acaba entre Harp e Lord Benton; Christian McKay (Rush) — o padre bêbado e luxurioso; e Alun Armstrong (Coração Valente) — Lorde Benton, o implacável e não misericordioso representante da companhia inglesa.

Pela relação acima, dá para perceber que a série é composta por um festival de clichês, além de uma queda pelo politicamente correto, como demonstra a frase de abertura do terceiro capítulo em que Ice Cube (!) declama algo batido sobre a pirâmide social.

Se estiver sobrando tempo, pode valer assistir, mas sem compromisso.