Gears of War 4

Não é só tirar mais leite da vaca.

J.D. e seus companheiros, Kait e Del.

A trilogia original teve momentos marcantes. O primeiro jogo era cru, simples em seu objetivo de exterminar o que cruzasse a sua frente. Nele, encontrar pela primeira vez uma Berserk, ver a morte de Kim e derrotar RAAM foram momentos inesquecíveis. O segundo, embalado pelo sucesso do primeiro, precisou expandir a história, deu um propósito a Dominic “Dom” Santiago, apresentou novas personagens, como Tai Kaliso e Dizzy Wallin, criou uma rainha para os Locust e inovou ao trazer o modo Horda para o multiplayer. Como maior momento, o reencontro e o desfecho de Dom com sua esposa; ainda, o verme gigante, pilotar um Brumak, e, no pós créditos, uma mensagem do pai do protagonista principal, Marcus Fenix, aumentou a expectativa dos jogadores para o próximo capítulo. O terceiro fechou a saga com um visual mais brilhante e, embora tenha deixado inúmeras perguntas sem respostas, foi satisfatório. Mais uma vez fortaleceu o multiplayer com um modo cooperativo para 4 jogadores. Adicionou mais emoção com a participação do pai de Fênix, maior envolvimento de Cole Train e a despedida de Dom. E sem faltar o destino dos irmãos Carmine.

O três jogos trouxeram em comum o sentimento das apostas estarem realmente contra o jogador, com a humanidade sendo esmagada e sempre tendo que contar com uma quase impossível e custosa medida desesperada.

Com a saga terminada, uma prequel era o caminho esperado, mas a execução foi uma decepção. Optar por traçar a queda do então Tenente Baird em Judgement, a personagem de menor apelo junto aos fãs, foi ousado, mas o que pesou mesmo contra foram as escolhas do gameplay, que tornou a campanha em uma espécie de modo Horda constante, que chegava ao ponto de modificar os inimigos caso o jogador falhasse em uma missão. Mesmo com as cenas explicando a trama, as missões pareciam desconexas e sem o apelo dos jogos anteriores. Até o esquema do controle foi modificado e, no multiplayer, substituíram seu maior sucesso, o modo Horda, por uma variação que não agradou.

Já Gears of War 4 avança no tempo e traz o filho de Marcus Fenix, J.D., como principal personagem. O jogo começa exatamente relembrando a saga que levou o mundo àquele estágio nas primeiras missões. Quando apresenta o novo quarteto, a coisa fica um pouco maçante, repetitiva. Talvez seja assim no 1/3 inicial do jogo. E se vê que ao menos um erro de Judgement permaneceu: tornar partes do jogo em um exercício de Horda.

Criar barreiras e torres e se preparar para o ataque.

É com a entrada de Marcus em cena que a trama começa a avançar, mas ainda demora um pouco a pegar ritmo. Na segunda parte, sim, as coisas começam a ficar mais familiares à trilogia original.

Os inimigos são mais poderosos que os Locust originais, capazes de matar o jogador com um ou dois golpes. Novas criaturas gigantescas apoiadas pelos soldados comuns tornam as coisas complicadas por diversas vezes.

Vale destacar que os inimigos estão mais astutos e rápidos, movendo-se constantemente e contornando o jogador, que não pode só ficar parado esperando a oportunidade de atirar.

O final do jogo segue a tradição dos anteriores e traz ação em grande escala, emoção e a expectativa pelo que estar por vir.

O maior e absurdo porém foi a retirada do modo cooperativo para quatro jogadores da campanha. Isso diminui muito a “rejogabilidade” e priva os fãs de poderem repetir momentos que tiveram em Gears 3, principalmente ao tentar bater o jogo na dificuldade insana.

A série foi bem sucedida em passar um senso de camaradagem entre os jogadores e a necessidade de se trabalhar em conjunto. E perde-se um pouco disso com a perda da campanha com quatro jogadores.

Em nível pessoal, o multiplayer de Gears of War permitiu-me grandes momentos de alegria e encontrar grandes colegas online, foram incontáveis horas de Horda e de campanha. Poucas coisas no mundo dos videogames foi tão legal quanto bater a última onda no Horda no nível insano, sendo o último dos jogadores em pé, com os outros berrando na torcida através do headset.

O modo Horda não precisava de inovações. A sua beleza era justamente a sua simplicidade. Você e mais três companheiros devem sobreviver por 50 ondas de atacantes com dificuldade crescente. Aproveitaram o sistema de classes de Judgement, adicionaram cartas de bônus, pacotes cata-dinheiro, colocaram um jogador a mais e aumentaram imensamente a dificuldade.

No modo versus, ainda parece que a Gnasher reina suprema.

Apesar de suas falhas, Gears of War 4 é um jogo divertido, mas que não justifica grande excitação. Para valer a pena, tem que entregar pelo menos 60% da diversão de Gears 2 e 3.