(Histórias que eu conto por aí, mas não deveria)

Dia desses:

O moço se oferece para levar minha mochila no ônibus. Eu aceito. Vaga lugar do lado dele, eu sento. Desço no meu ponto, coloco o pé para dentro do prédio do meu trabalho. O moço surge atrás de mim:

- Bom dia, me deixa te perguntar, você namora?

- Aham (mentira, mas foi a única coisa que consegui responder)

- Ah, claro! Olha, me desculpa. Tenha um ótimo dia.

Deu as costas e foi embora. Ainda nos encontramos às vezes no mesmo ônibus, mas ele nunca mais se ofereceu pra levar minha mochila. Não fosse meu coração ter se partido 2 vezes nos últimos 4 meses, eu ia lá desmentir meu aham. Mas sabe como é, em 40 minutos de trânsito até o trabalho todos os dias, era bem capaz de eu casar tendo o cobrador como padrinho, o motorista me levando até a cerimônia e todos os usuários da linha 3051 entre 8 e 9h da manhã como convidados.

E teve o dia:

Que eu dei o meu telefone pra um desconhecido no ponto de ônibus, que me ganhou dizendo que tinha ido para o Japão. É óbvio que eu não acreditei, primeiro porque só me mostrava foto de paisagem, segundo porque ninguém vai pro Japão (só minha amiga Iara). Mas dei meu telefone pra um desconhecido no ponto de ônibus pela criatividade na história. E porque eu fui extremamente grossa com ele e ele nem notou. E porque eu tava indo pra Irlanda em 4 meses e tanto fazia quem tinha ou não meu telefone. E porque eu quis.

Eu dei meu telefone pra um desconhecido no ponto de ônibus e 4 meses depois eu não fui pra Irlanda. E descobri que a Iara não era a única pessoa que eu conhecia a ter ido pro Japão.

Tem também a breve história do que nunca aconteceu:

Eu meu apaixonei por um conhecido que me levava no ponto de ônibus todos os dias, pedindo de vez em quando pra carregar minha mochila até lá.

Eu me apaixonei por um conhecido, mas tive que deixar pra lá.